sábado, fevereiro 07, 2009

Coisas giras

No curto período em que andei no Filipa de Lencastre - falamos dos anos 80, em que Torremolinos estava em grande -, ainda tive tempo para participar numa aventura destas. E lembro-me perfeitamente do New Piper's (cenário de grandes festanças que ousavam recordar Aljubarrota) e da própria Turicoop, operador que se me não falha a memória habitava um primeiro andar ali ao Jardim Constantino. Bons tempos, grandes recordações. Já não vou para novo.

A internet pode ganhar eleições?

Volto a confessar o meu desinteresse pelas eleições norte-americanas salvo num aspecto: o da utilização da internet como ferramenta incontornável para a conquista eleitoral. E nesse aspecto, convenhamos, Barack Obama deu cartas desde a primeira hora. Ora atentem: mais de 3 milhões de apoiantes no Facebook a 4 de Novembro (são agora mais de 5 milhões); inúmeras páginas e grupos locais no mesmo espaço, algumas delas com mais de cem mil fãs declarados; mais de 200.000 seguidores no Twitter; os seus apoiantes, devidamente organizados, lançaram 150 mil acções de campanha na net; mais de 35 mil comunidades de interesses comuns criadas em volta da sua candidatura naquilo que foi uma aposta declarada na força das redes sociais; um site oficial onde estavam algumas ideias mas que foi desenhado essencialmente a pensar na recolha de fundos (com um sucesso a ultrapassar as melhores previsões), e também na recolha de voluntários, gente a quem depois se atribuiam cuidadosamente acções de campanha que poderiam ser desenvolvidas a partir de casa, sem necessidade de companhia ou de maior compromisso; utilização do YouTube a atingir números incríveis - estou pessoalmente convencido de que qualquer vídeo aí colocado e minimamente divulgado é muito mais visto do que qualquer tempo de antena televisivo que ainda para mais custa uma pequena fortuna... -, fechando o mini-elenco com uma espécie de marketing viral no envio de correio electrónico. Alguns voluntários chegaram mesmo a desenvolver pequenas aplicações para utilização específica em produtos Apple como o iPhone e o êxito é aquele que se conhece. No fundo, a receita é a mais simples que se pode conceber: concentrar energias no que interessa - e o que interessa é chegar às pessoas de forma simples, directa e eficaz.

Leituras úteis (que não dispensam um passeio mais demorado pelo Google):
- Propelled by Internet, Barack Obama Wins Presidency, na Wired;
- How Obama’s Internet Campaign Changed Politics, no Bits Blog do New York Times;
- Obama poised to be first 'wired' president, na CNN.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

E se fossemos todos assistentes?

Diz-se lesado por «corrupção» - Industrial quer ser assistente no Caso Freeport:
Invocando o direito viver num país sem «tráfico de influências e corrupção», um emigrante requereu a sua constituição como assistente. (...)
Um industrial oriundo da zona de Coimbra, emigrante em França há 27 anos, apresentou esta semana um pedido para se constituir assistente (ou seja, lesado) no processo Freeport.
Esta possibilidade está prevista no Código de Processo Penal, permitindo a qualquer cidadão constituir-se como interveniente processual, em pé de igualdade com os arguidos e o Ministério Público, quando estão em causa crimes económico-financeiros que prejudicaram valores e património da sociedade.

Muito interessante

Freeport: documentação dos escritórios sob suspeita terá sido destruída um dia antes das buscas.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Bloguices

Eu já devia ter dado a notícia aos fregueses mas mais vale tarde do que nunca: Paulo Pinto Mascarenhas saiu do extinto blogue da revista Atlântico para abraçar um novo projecto profissional (ao qual eu aproveito para desejar êxito). Mas o que aqui releva é que, no entretanto, abriu portas o ABC do PPM, um blogue de que eu gosto e que aliás já tinha entrado aqui para a coluna da direita.

Tratando de um outro blogue de que eu gosto, não é todos os dias (e especialmente em ano de eleições) que as vozes internas apontam distorções e assumem pensar diferente, pensar pela sua cabeça. É o caso da Margarida, que eu não conheço mas de quem, seguindo -lhe o blogue há anos, também não esperava outra coisa. Tiro-lhe o meu chapéu.

Como não há duas sem três e ainda no capítulo dos blogues de que eu gosto, o Bruno voltou de uma hibernação que já causava mossa na arte de bem pensar e de melhor escrever em português. E fê-lo, naturalmente, em grande estilo!

Quando o sitemeter nos dá informação

Ficamos a saber que a imprensa procura as ligações entre o célebre Manuel Pedro e a não menos célebre Universidade Independente. Isto promete.

Quando a crise toca o meu imaginário



Märklin files for insolvency, no Finantial Times:
Märklin, the famous maker of model trains that was taken over in one of Germany’s best-known private equity deals, has filed for insolvency after the failure of long-running restructuring efforts.
The detailed toys made by the company, which marks its 150th anniversary this year, have made it a favourite of train enthusiasts. Banks were unwilling to extend further credit, Märklin said.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Choque tecnológico

O último reduto está no Twitter. Para seguir aqui.

O reduto em discurso directo

O Manuel Azinhal, um velho companheiro desta caminhada blogosférica, desafiou-me (na sequência de mais uma das suas louváveis iniciativas) para uma conversa em volta da blogosfera, da internet e da Direita portuguesa. Eis o resultado.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Saudades

sábado, janeiro 31, 2009

Será em 2009?

Tenho falado com alguns amigos que estão em crer que em 2009 isto tem todas as condições necessárias para, mesmo não dando uma volta, permitir algumas surpresas no terreno político. Lembram-me que o governo é medíocre e vive do espalhafato e do show-off que marca a espuma dos dias; invocam a gravidade da crise, cujos efeitos, nomeadamente no emprego, serão provavelmente muito piores do que aquilo que é previsto pela maioria dos colunistas da área; e recordam também - e bem -, que a oposição com assento parlamentar é miserável, talvez mesmo mais miserável do que a situação. Se a isso somarmos um cada vez maior alheamento das pessoas face à baixa política (que é a que existe e aquela que os tugas lobrigam), e que no caso de alguns concidadãos chega ao ponto de uma justificadíssima revolta, dizem-me estar presentes as condições para que surjam as tais surpresas. Eu espero que eles tenham razão mas faço profissão de fé no meu cepticismo.
Li aqui há dias, já não sei onde, que "as revoluções não nascem da miséria, nascem da esperança". Se bem interpreto o que se pretende dizer, a tese tem (historicamente e não só) algum merecimento. Ora, sucede que se bem observo à minha volta, a esperança é ingrediente que por estes dias anda muito lá por baixo. E a isto acrescento eu que dificilmente há vitórias políticas se estas não forem antes trabalhadas na frente cultural ou junto da sociedade civil, em proximidade com associações locais ou associações de causas que efectivamente mobilizem franjas significativas da população. No fundo, chegar - entre eleições, como tantas vezes lembra o Manuel Azinhal -, à sociedade civil, ao cidadão comum - porque o incomum, esse, já está doutrinado. Ora, será que esse trabalho de casa foi feito?
Claro que um sucesso eleitoral não é impossível - e eu diria mesmo que é desejável que venha a verificar-se. Acredito até que a esmagadora maioria das pessoas não acompanhe o meu cepticismo e permito-me sustentar esta convicção na quantidade de novos projectos políticos que entenderam ser 2009 um bom ano para iniciar o percurso: não faltam aventuras, desde aquele cavalheiro que demandou Timor por barco e entendeu por bem pirar-se ao primeiro aviso da marinha adversária (e que até tirou um coelho da cartola para o Parlamento Europeu), até um mais enigmático MMS (ou coisa que o valha), que ninguém conhece mas que tem verba bastante para encharcar Lisboa de outdoors que, como é sabido, são baratíssimos. A estes, podemos juntar os partidos que correm por fora. Descontando a maior parte deles, que têm há anos o objectivo único de se apresentar a votos de tempos a tempos e beber uns copos, quer parecer-me que na verdade só duas dessas propostas que já estão no "mercado" têm reais hipóteses de, pelo menos, causar prejuízos sérios: o PNR, evidentemente, na medida em que bem ou mal representa uma corrente de pensamento em ascensão por toda a Europa e porque diz em voz alta o que boa parte dos portugueses pensam apenas para com os seus botões; e a Nova Democracia (que hoje elegeu nova líder - ainda o Jorge Ferreira explicará ao país porque não avançou...), esta nomeadamente no que respeita à sua candidatura unipessoal pelo círculo de Braga. O resto não conta.
Mas não querendo - longe disso - desanimar as militâncias: não há impossíveis e, com convicções inabaláveis, o céu é de algum modo o único limite; e acreditem os meus caros amigos que eu posso estar errado - até porque não acerto sempre. Pode acontecer até o que há alguns dias era impensável: que com a abstenção, a revolta, a miséria - o nojo, até (e sobretudo)! -, por uma vez a coisa mude... e mude sem ser para que tude fique na mesma.

E enquanto o Prof. Cavaco não comenta "assuntos de Estado"...

- Técnicos que deram parecer negativo afastados pelo ICN do licenciamento do Freeport.

- Testemunhas ouviram Manuel Pedro dizer que pagou 500 mil contos a Sócrates.

- Assessora de Manuel Pedro confirmou pagamento de “luvas” a José Sócrates.

Depois do spam vem a substância

E-mails trocados com a Freeport falam de subornos no licenciamento do “outlet”.

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Manlius

Ainda chego a tempo: o Manlius, um dos blogues que acompanho com maior interesse, cumpre hoje o seu segundo aniversário. Está de parabéns o nosso amigo José Carlos, com votos de que as obrigações profissionais lhe permitam em breve uma maior produção - para nosso consolo e aprendizagem.

Noção do ridículo

Tenho para mim que há meia dúzia de figuras que, no desejo de defender Sócrates a todo o custo, causam fortes danos à imagem do primeiro-ministro (o que é tanto mais grave quanto é certo que este vive essencialmente disso mesmo). Nesse quadro, parecia-me pacífico que o ministro Santos Silva se encontrava num patamar difícil de atingir pelo comum dos mais socráticos mortais. Mas sou hoje forçado a declarar as minhas dúvidas: mais um artigo destes e, afinal de contas, Fernanda Câncio chega lá.

Spam

Caso Freeport - PS envia emails aos militantes a defender Sócrates.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

E enquanto os ingleses investigam o Prof. Cavaco dorme...

Caso Freeport - Autoridades inglesas consideram Sócrates suspeito e querem ver contas bancárias do primeiro-ministro.

terça-feira, janeiro 27, 2009

Da Tradição Católica

Como é evidente, não é notícia a que os lusos pasquins possam dar grande destaque mas também não é por causa disso que deixa de ser uma das notícias eventualmente mais significativas dos tempos que correm (e, para variar, nem sequer é má): o Papa Bento XVI entendeu por bem ordenar o levantamento das excomunhões há anos proferidas contra os bispos da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, uma espécie de último reduto em boa hora erguido por Monsenhor Lefebvre em defesa da Tradição Católica.
Também por isso, e porque a coisa deve deixar os nervos em franja aos Freis Bentos Domingues e às Torgais criaturas da nossa praça, importa que o momento seja celebrado junto dos nossos amigos da Casa de Sarto que, durante anos e inacessíveis à derrota e ao desânimo, se mantiveram, combativos, no seu posto de fidelidade integral.

Leitura complementar: DICI.org; "O fim do princípio", por JSarto.

sexta-feira, janeiro 23, 2009

"Isto é tudo uma aldrabice pegada que enoja qualquer cidadão"