Domingo, Novembro 30, 2003

Uma Frente às Direitas

Ainda sobre a polémica das várias direitas e em especial sobre a nova autêntica e a nova inteligente, importa consultar a sempre aconselhável Nova Frente, onde o BOS dá excelente resposta a duas questões pertinentes: O que é, então, ser de direita? e O que será hoje um programa político de direita?

Carta ao Pai Natal (II)

Depois das sugestões aqui deixadas ontem para umas compras de Natal, eis que volto à carga com mais motivos para largar mais uns quantos euros.
Quem já tem DVD - utensílio da (boa) modernidade que calculo já esteja em casa da maioria dos leitores de blogues - e se interessa pela guerra civil de Espanha, pode adquirir, por exemplo, na FNAC de nuestros hermanos, uma colecção de 6 DVD's sobre o tema, que está igualmente disponível no mais tradicionalista formato VHS. A coisa, não sendo brilhante, é suficientemente interessante para justificar a compra. Ainda por terras de Castela na véspera do dia da Restauração, sugere-se aos leitores mais futeboleiros, uma colecção de 6 fitas VHS com seis jogos internacionais do Real Madrid que ficaram na história. Imprescindível para quem gosta de ver muito bom futebol no sofá.
Dando lugar à música, compre-se o trabalho de José Campos e Sousa! Quem conhece, provavelmente já tem. Quem não conhece e comprar vai agradecer a este reduto para o resto dos seus dias. Dois CD's em particular: "Portugal Sempre", à venda aqui e aqui; e "A Senhora do Carmo", à venda aqui.
Já as leitoras deste espaço poderão estar interessadas em presentear as suas caras-metade com uma sempre útil gravata com motivos nacionais, à venda na loja da Real Associação de Lisboa.
Por fim, independentemente de já terem ou não um blogue, nada perdem em actualizar o equipamento informático. Para que não digam que este espaço não simpatiza com os americanos, mandem o Bill Gates à fava e comprem tudo neste estabelecimento.

Sábado, Novembro 29, 2003

Carta ao Pai Natal (I)

Agora que os meus caros leitores e amigos deambulam por essas vilas e cidades fora em busca do presente mais apropriado, eis que me ocorre deixar-vos algumas sugestões. Norteiam estes conselhos, como é evidente, a ideia de que é preciso doutrinar, noção que faço por ter sempre presente e que me foi ensinada pelo saudoso Prof. João Taborda, nos idos tempos de militância na Nova Monarquia.
Ora começemos então pelos brinquedos para adultos mentalmente saudáveis: os soldadinhos de chumbo. Sugere-se uma primeira ida à Casa do Cavaleiro à Porta, ao Hospital das Bonecas, na Praça da Figueira (Lisboa) ou ao Museu do Brinquedo, em Sintra. Aí encontram exemplares extraordinários, não necessariamente baratos. Se quiserem encomendar pela internet, experimentem, à confiança, aqui, aqui e aqui.
Depois, os inevitáveis livros - mais livros, mais livres! Agarrado que foi o slogan da Hugin Editores, começam por ela as sugestões. Desde logo, inevitavelmente, "Festejar o Natal - Lendas e Tradições", de Alain de Benoist, um pequeno livro que percorre o Solstício de Inverno e as origens e tradições europeias relaccionadas com esta quadra. Alternativas:
- "Visto da Direita", de Jaime Nogueira Pinto, uma antologia crítica e adaptada de 20 anos de editoriais da Futuro Presente.
- "Cancioneiro de Olivença", um trabalho essencial assinado por António Manuel Couto Viana e prefaciado pelo saudoso Henrique Barrilaro Ruas.
- "O Fogo", de Gabriele d.Annunzio, ficção fantástica de um homem que dispensa apresentações (pelo menos deveria dispensar).
Por outro lado e dado que a quadra pede bons álbuns para oferecer, a Quimera Editores anuncia o lançamento do oitavo volume da excelente colecção "Lisboa Desaparecida", trabalho notável da olisipógrafa Marina Tavares Dias; mais um álbum de fotografias de Eduardo Nobre dedicado à Casa Real (período entre 1845 a 1945); um trabalho do jornalista Paulo Salvador intitulado Era Uma Vez' Angola, um livro saudoso com mais de 300 fotografias que tanto dirão e tão bem representam o esforço e dedicação dos portugueses que por aquelas paragens se estabeleceram. Por fim, também a Quimera acaba de lançar uma compilação de fotografias panorâmicas de Lisboa assinadas por José Manuel Costa Alves; um resultado final extraordinário.
Não levarão a mal os visitantes deste reduto que vos sugira, para terminar, os escritos do meu autor favorito: Pierre Drieu La Rochelle, escritor maldito, amigo e contemporâneo de Brasillach, Rebatet e Céline. Neste país de muito lixo literário, escusado será dizer que apenas uma obra de Drieu está traduzida e editada: "Gilles", edição da Bertrand, um gigantesco romance que alguns estudiosos classificam como ficção auto-biográfica e que bem se pode dizer ser toda uma biblioteca. Para quem não tiver problemas com a língua de Le Pen, podem encomendar qualquer livro de Drieu La Rochelle na Gallimard ou na Amazon francesa. Aconselha-se o "Journal", diário do autor no período da segunda guerra mundial, mais ou menos intimista ou panfletário consoante os dias, os estados de alma e as vicissitudes da guerra.
A cereja em cima do bolo é, naturalmente, a "Revolta Contra o Mundo Moderno", de Julius Evola, que pode ser adquirido aqui.
As coisas de computadores, a moda, a música e os DVD.s ficam para amanhã, que tudo no mesmo dia seria consumismo totalmente desaconselhado pelos mestres.

Pode um Sub-40 assinar por baixo?

Na sequência do proliferar de textos da nova 'Nova Direita' pelas páginas d'O Independente, eis que alguém usa o mesmo jornal para desmascarar a dita cuja. Sem contar com as cartas dos leitores indignados com a prosápia esquerdista ali mascarada, que seja dada a palavra a Carlos Blanco de Morais, que assina um excelente texto intitulado A "Nova Sub-Direita" ou o elogio da decadência, que tem aliás deixado à beira de um ataque de nervos a blogosfera da direita curva e das esquerdas mais ou menos bolorentas:

Como se nos não bastassem as "sete pragas" (iniciadas na "Casa Pia" e acabadas no "Gloom" económico) que afundam a auto-estima da sociedade e questionam a viabilidade do Estado, emerge agora a agenda "valórica" da "nova Direita liberal".
Tudo isto a propósito de dois artigos publicados na página de opinião da passada edição d'O Independente, um deles escrito pelo meu estimado colega Vasco Rato.
Artigos que, tendo o louvável propósito de .refrescar. uma Direita supostamente obsoleta e insensível às novas questões sociais, oferecem como alternativa taumatúrgica o receituário liberal da autodesignada "geração dos sub-40".
Nunca ouvi falar da geração dos "sub-40", mas admito que será, talvez, melhor que a dos sub-21, já que pelo menos sabe escrever e não espatifa balneários desportivos em França.
A sua agenda caracteriza-se por uma simplicidade infantil: ao "Estado mínimo" no plano económico faz acrescer a "neutralidade" no plano político-social.
Trata-se de uma programa que desonera a Direita da maçada de ter uma ideologia e a desobriga de adoptar valores nem sempre populares.
Estribada nos princípios espongiformes do pluralismo e da tolerância, a neutralidade social teria a vantagem de "surfar" a crista da onda das correntes de opinião e das "petty causes" do tempo presente.
Compreende-se, pois, o apelo dos novos liberais a uma posição .arejada. da Direita em relação ao consumo da droga e às salas de chuto nas prisões; à tolerância penal perante a delinquência dos 7 aos 77 anos; ao casamento entre homossexuais, transexuais e outros simpáticos mutantes; ao discurso do "SOS racismo" por um Portugal de braços abertos e portas escancaradas; ao milagre da multiplicação de quotas pelas minorias; e a um aborto em liberdade, regido pelo livre mercado.
Nova Direita ou velho relativismo?
Se não tivesse surgido num tempo de baixa auto-estima nacional, depreciação dos valores públicos e privados e ausência de uma ideia para Portugal por parte da elite política, a agenda da .nova Direita liberal. até animaria as artes, como pitoresco pronto-a-vestir da geração dos "sub-40".
Mas este liberalismo morno que tem a presunção pueril de criar "pontes para o futuro", ao surgir em tempos de decadência, apenas reforça o declínio reinante, baralhando os espíritos mais frágeis da coligação no poder.
Precisamente quando o centro-direita reclama uma etiologia identitária é confrontado com a regressão do velho relativismo político dos anos 50, travestido de "sub-Direita".
Relativismo assente numa neutralidade social niilista que, a ser aceite pelo centro-direita, não permitiria distingui-lo do Bloco de Esquerda.
Relatismo que hoje defende as salas de chuto nas prisões, amanhã fechará os olhos à criação de "quiosques" de venda livre de drogas à porta das escolas e depois de amanhã a dedução no IRS do valor das drogas consumidas.
Relativismo que hoje defende casamentos "gay", amanhã as adopções de crianças por casais homossexuais e um dia, quem sabe, uniões entre humanos e extra-terrestres.
Relativismo que hoje aceita o véu islâmico nas escolas, amanhã "regiões autónomas" de base étnica, linguística e religiosa e depois de amanhã a possibilidade de um imigrante kosovar ser eleito Presidente da República.
Relativismo ao qual, no plano político, é indiferente que Portugal seja um Estado soberano ou uma comunidade ibérica.
Relativismo que aceita liberalizar o aborto, mas que permite generosamente que os seus adversários possam recusar-se a contribuir fiscalmente para a sua prática em hospitais públicos.
Importaria, pois, privatizar o aborto e seguidamente legalizar e privatizar a eutanásia.
O final, seria, quiçá, a privatização do Estado. Ora, na situação em que este se encontraria às mãos da "sub-Direita", a sua aquisição em Bolsa seria, seguramente, uma pechincha.

Sexta-feira, Novembro 28, 2003

Porque quem não se sente não é filho de boa gente

Diz-nos o sítio da RTP que Alessandra Mussolini, a neta do Duce que tem dedicado os seus anos de vida às actividades políticas, abandonou ontem o partido do Sr. Fini - parceiro europeu de referência do CDS/PP. Nunca fomos, por estas bandas, especiais adeptos de Alessandra Mussolini e muito menos de Gianfranco Fini. Os arrivismos mais oportunistas nunca nos entusiasmaram. Mas não deixo de registar com satisfação esta posição. O contrário, seria mais coisa menos coisa, imaginar o dr. Cunhal a virar socialista à conta de um possível tacho parlamentar que ele desdenharia. Alessandra Mussolini vai muito provavelmente perder o tacho. O que não é grave, se mantiver presente que também as árvores morrem de pé.

Quinta-feira, Novembro 27, 2003

Os heróis estão cansados

Cada época tem a mitologia que merece.

(Guillaume Faye in Universidade e Cultura, nº 2/3, Janeiro de 1984)

Eu mando evacuar as galerias

Com toda a certeza, já todos os leitores terão ouvido a segunda figura do Estado pronunciar tão sábias palavras, sempre que meia dúzia de "agit-prop's" formados na mesmíssima escola do nosso primeiro, erguem cartazes ou se erguem a eles próprios no primeiro balcão da sala de São Bento, com o intuito de vituperar, cada qual à sua maneira, os ilustres representantes da Nação. Ocorre-me este pensamento dado ter visto há minutos na nossa pouco recomendável televisão imagem semelhante, com o Dr. Mota Amaral a ser alvo da indignação de eleitores mais inconformados.
Pois fiquem os meus amigos sabendo que não me parece acertada a ameaça, tantas vezes levada à prática por dois ou três diligentes agentes da PSP, por certo amantes da ordem e mais propensos a respeitar a hierarquia do Estado. É que já não existem cidadãos assim; estou aliás em crer que aqueles que incendeiam as galerias, incomodando o sono dos justos dos nossos mais altos dignatários, encontram aí o sua ocupação profissional. E qual a razão de ter eu esta ideia? Ora, é simples. Acaso conhecem Vossas Senhorias mais alguém que tenha a mais pálida noção daquilo que é matéria constante da Ordem do Dia? Evidentemente que não. Ora, não conhecendo eles a agenda dos trabalhos, como poderiam estes exemplares compatriotas elaborar cartazes que com ela estivessem em conformidade? Lá está: é evidente que esta gente sabe o que se discute no hemiciclo, pelo que são indiscutivelmente estes os nossos patrícios mais habilitados a castigar a governação numa próxima oportunidade.
Assim sendo, deste humilde reduto sugiro a Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, que a tão exemplares Marias e Manueis seja concedida a competente comenda - servirá uma qualquer Grã-Cruz, num próximo 10 de Junho.

História de Portugal

Não sei se os meus caros leitores têm reparado que o Sexo dos Anjos tem andado a prestar inegável serviço público, sem que para tal lhe seja concedida a competente bolsa de estudo. Refiro-me aos inúmeros textos que por ali vão sendo deixados e que são importantes peças para recriar o puzzle da história da direita extra-parlamentar cá do burgo, isto para não citar os importantes documentos que ali se transcrevem sobre o extinto processo revolucionário que estava em curso. Se é que ainda por lá não anda, metam o blogue do Manuel Azinhal nos favoritos. E já agora imprimam, não vá o diabo tecê-las.

Uma reflexão sobre o conformismo

O conformismo é uma forma feia de morte. Morte anunciada, indolor, asséptica. Não é a aceitação da ordem natural das coisas. É sim a aceitação de qualquer moda, de qualquer ordenamento jurídico, e é o convencimento cego e sem crítica de que tudo o que existe está certo e como tal se lhe deve obediência. Se o escravo é, como dizia Ezra Pound, aquele que aguarda a sua libertação, o conformista é aquele que espera que alguém lhe diga o que fazer, como actuar e como se comportar. O conformismo é uma forma menoríssima de conservadorismo.

(Jovem Revolução, Lisboa, nº 7, Primavera de 1990)

Terça-feira, Novembro 25, 2003

25 de Novembro

Para assinalar a efeméride, nada melhor que ler este lembrete do BOS, na Nova Frente, que não é blogger de deixar passar em claro as datas relevantes da lusa história, para mais recorrendo ao habitual humor que caracteriza aqueles textos. Diz ele que durante o PREC se vivia por estas bandas em manifestocracia - um manicómio em autogestão, falando ainda em saneamentos e presos políticos, coisa por certo exagerada mas explicável pelo entusiasmo do BOS em discorrer sobre o Vasquinho. Mas atentem que se trata de testemunho autêntico. O Rodrigo Emílio não o deixa mentir:

Penhasco
semi-doido quanto ao casco,
meio-cénico, algo cínico
- digam-me lá se esse Vasco
não é mesmo um caso clínico!...

Otelo, o major-a-prazo,
é outra a sua estultícia:
- já cheguei à conclusão que é um caso
de polícia...

Ainda em defesa dos mais pequenos

Na sequência da lista de entidades que promovem a defesa da vida e que aqui tinha deixado, recebi correspondência com algumas sugestões e, em especial, indicando mais pessoas e instituições disponíveis a ajudar o próximo sem influência do materialismo que hoje tudo parece poder. No âmbito dessas sugestões, parece-me da mais elementar justiça dar a conhecer Crianças sem Fronteiras, uma instituição que promete apoiar as crianças e as suas famílias, apoiando igualmente outras famílias que possam acolher os mais pequenos sob diversas formas: adopção, tutela e guarda. Vão até lá. Não custa nada.

Segunda-feira, Novembro 24, 2003

Quem diz presente em defesa da Vida

Não basta criticar sem apresentar soluções, sem mostrar um caminho que possa ser a tal luz ao fundo do túnel. Uma das falácias que a esquerda pró-abortista - agora devidamente acompanhada pela direita curva - gosta de apregoar aos quatro ventos, é a de que o referendo já realizado nada alterou em termos práticos e que os "pró-vida" então mobilizados se esfumaram logo após a vitória nas urnas. Redonda mentira. Por ocasião da consulta popular - como é bem dizer-se - e também já depois da dita consulta, organizaram-se, um pouco por todo o país, diversos movimentos de intervenção cívica em favor da vida, que desde então permanecem no seu posto, sem virar a cara, dispostos a ajudar todas as futuras mães cuja gravidez e consequente maternidade possa constituir problema sério, as tais realidades complexas e concretas de que falava Vasco Rato. Aqui vos deixo uma lista, muito provavelmente incompleta, de associações portuguesas compostas por jovens e menos jovens que dizem presente na luta pela vida e que existem para ajudar quando é preciso. Ajudem-nas também a elas, na medida do possível. Não custa nada; e passem a mensagem, para fazer abortar de vez esta mentira.

Ajuda de Berço - Centro de Acolhimento
Av. de Ceuta, nº51, r/c - Lisboa
Tlf: 21 362 82 74/6

Associação de Defesa e Apoio da Vida - ADAV
Praça 8 de Maio, nº 42, 2º, sala B, Coimbra - Tlf: 239 820 000
Clínica Médica da Misericórdia, sala 2; R. N. Senhora da Encarnação, Leiria - Tlf: 244 80 2040
Apartado 420, 3811-901 Aveiro

A Vida Nasce
Rua Filipe Correia de Araújo, 9, Fratel, Portalegre
Tel.: 272 566 146

Campanha de Oração pela Vida
Casa de Sto António do Vale, Estrada da Azorra 65, Ameal, Coimbra
Tlf: 239 981 218 / 91 826 36 75

Centro de Mãe / Movimento de Apoio à Grávida
Funchal / Madeira
Tlf: 291 220 274


Federação Portuguesa pela Vida
Rua Arqtº Marques da Silva, 285 - 2º Centro, Porto
Tlf:22 606 19 30

Fundação Família e Sociedade
R. Viriato, 23 - 6º Dtº, Lisboa
Tlf: 21 315 26 57

Gabinete de Apoio à Grávida
Guarda
Tlf: 271 200 800

Jovens Pró-Vida
Lg. de S. Domingos de Benfica, 13, Lisboa
Tlf: 21 774 25 42

Juntos pela Vida
R. Luís de Camões 16, 2975-123 Linda-a-Velha, Lisboa
Pedro Líbano Monteiro: 96 857 45 75

Maternidade e Vida
Apartado 127, Paredes
Tlf: 255 782 205 / 93 654 58 71

Movimento de Defesa da Vida
R. da Beneficiência, 7-1º, Lisboa
Casa de Vilar, R. de Vilar, 85 - 3º, sala 3N, Porto
Tlf: 21 799 45 30

Mulheres em Acção
Associação portuguesa feminina de defesa da vida.

Ponto de Apoio à Vida
R. Raul Mesnier du Ponsard nº 10, Lisboa
Tlf: 21 758 98 18

Sabor da Vida - Associação Evangélica
Largo da Feira, nº 24 - 2º esq, Malveira

S.O.S. Vida - Apoio à Grávida
Rua da Saúde, 4 - Faro
Tlf: 289 812 812 (24h)

Tudo Pela Vida - ATPV
R. Ernesto Carvalho, Edifício Roma, loja 5, V. N. Famalicão
Tlf: 96 479 35 00

Vida Norte
Al. Jardins da Arrábida 436-11º, Vila Nova de Gaia
Tlf: 93 334 82 12

Vida Sim
Apartado 156, Sintra
Tlf: 21 924 42 57 (24h)


Vida Universitária
Rua Newton, nº 6, 2º - Lisboa
Tlf: 91 865 18 56

Vinha de Raquel
Serviço Diocesano da Defesa da Vida (Patriarcado de Lisboa)
Tlf: 91 735 46 02

Domingo, Novembro 23, 2003

Vasco Rato e o aborto (III)

Por fim, VR coloca a questão da filosofia do .Estado. em relação às "questões sociais". Aqui o articulista espalha-se literalmente ao comprido. Não só o Estado não deve ser uma entidade assexuada, neutra em relação aos problemas que nele se manifestam, como não pode caucionar a libertinagem absoluta, onde tudo vale, incluíndo matar. Desde logo, o aborto não é uma questão pessoal. É uma questão nacional a partir do momento em que afecta toda a comunidade e isso é tanto mais válido quanto decresce a olhos vistos a natalidade portuguesa (e europeia). É pois, não só matéria que atinge o todo nacional, como é imperioso a um Estado responsável dar um sinal contrário aos seus cidadãos.
Para além disso, o Estado não deve deixar de defender o Direito à Vida como direito essencial. A questão do aborto coloca em causa a dignidade e a identidade do ser humano. Se o Estado da "Nova Direita" não serve para garantir isto, não serve rigorosamente para nada. Já dizia Pino Rauti que L'aborto è un problema che non ammette compromessi. Não pode haver aqui falinhas mansas porque estamos perante duas visões completamente distintas da humanidade (como também, por exemplo, na questão dos casamentos homossexuais). Aqui há sim ou sopas. Há o natural ou o anti-natural. São estes os assuntos que representam os últimos redutos da doutrina, a última fronteira, são aquilo que os italianos muito bem classificam como punti fermi. E o facto é que a verdade imutável permanece eterna: num campo, a esquerda e as "direitas" liberais e capitalistas, filhos aliados duma mesma concepção materialista e mundialista do homem e do mundo e, do outro lado, uma visão tradicional e cristã, que entende que o homem é mais do que um amontoado de células caídas no planeta terra por obra e graça do acaso, pouco mais que mecanismos químicos que não comportam nenhuma finalidade ou destino.
No fundo, não é nada de novo. Já o Evola explicava isto tudo...

Numa única coisa VR tem razão. Diz ele que o Estado não deve intrometer-se "no exercício das nossas escolhas". Está coberto de razão. Mas está igualmente esquecido de que nós já escolhemos. E escolhemos NÃO! Por muito que isso custe a esta "direita da treta".

Vasco Rato e o aborto (II)

De seguida, VR levanta a questão da "moralidade de criminalizar o aborto", insistindo em que por trás de uma ideia abstracta estão realidades concretas. Os Bloquistas não diriam melhor.
Caminhando neste raciocínio por aí abaixo, conclui o articulista sem dificuldade que o problema essencial é o Estado criminalizar escolhas que deviam ser do foro privado. VR defende eventualmente um Estado assexuado, sem opinião em coisa alguma e sem valores de qualquer tipo. Pelo meio, lá vem a típica prosápia esquerdista do contexto da tomada de decisão, as consequências da opção traumática, etc. A ideia é velha e parte do princípio que a penalização do aborto não acaba com o aborto: é um facto que não. Mas não é menos verdade que a penalização do homicídio não acabou com o homicídio. Acaso sugere VR que deve o Estado tornar livre o homicídio?
Para mais, é estranho - no mínimo - que alguém que se diz de "direita" valorize a natureza intrinsecamente boa do ser humano que está subjacente às teses de VR, ignorando, ao invés, qualquer estudo existente sobre a "psicologia da moralidade" - e eles existem com fartura nos states, a pátria prometida desta novíssima "direita" comprometida. Afirmam estes estudos que a Lei ainda tem algum peso enquanto tal, quando se trata de fazer a distinção entre as noções de certo ou errado e que existe número significativo de pessoas que não abortariam apenas por ser proibído. Seria ainda boa ideia esclarecerar VR que as Leis são feitas a pensar no abstracto e não no caso concreto, talvez com a excepção fantástica de Barrancos à escala planetária. Se assim não fosse, fácil se tornava justificar o assalto perpetrado por meliante cheio de fome que roube para comer e dar algo aos seus filhos. Para analisar de forma ponderada da bondade do caso concreto existem os juízes. De outro modo, estaríamos a fazer leis de conveniência para os que têm por hábito infringi-la e não para a população em geral.
Por fim, convinha tomar devida nota da distinção entre "despenalizar" e "descriminalizar". Recorrendo a terceiros: Fala-se de "despenalização" nos casos em que uma lei nova continua a considerar uma conduta como "crime", mas submete-a a uma punição mais leve do que aquela que resultava da lei anterior. (.) dá-se uma descriminalização quando uma lei nova deixa de incriminar certos factos previstos numa lei anterior. Quer dizer: o que antes era crime, deixa de o ser. Aplicando à nossa questão: o que pretendem os defensores do "sim" é que o "aborto livre" ou "a pedido" durante as primeiras dez semanas de gravidez deixe de ser considerado crime. Até esse prazo-limite, a vida intra-uterina deixa, por conseguinte, de ser um "bem" a proteger pelo direito.
Tudo isto para já não falar nos exemplos dados por VR, autênticas ideias peregrinas que mais não visam do que tornar o aborto num método de planeamento familiar. Gostei em especial desta: Algumas mulheres, por razões de natureza profissional, engravidam sem estarem preparadas para a maternidade; mas apreciei também a enorme compreensão de VR para com os abortos que decorrem de relações em que se presume que o macho "mijou fora do penico". Haja ao menos respeito por quem pagou os quinhentos paus que custa o jornal!

Vasco Rato e o aborto (I)

Vasco Rato (VR) resolveu nesta última edição do Independente colocar-se de braço dado com a esquerda abortista, louvando-lhe (à esquerda radical) a introdução da possibilidade de um debate clarificador sobre o aborto. Ficamos logo de entrada a saber que para a novíssima "Nova Direita", os anteriores debates não foram suficientes e esclarecedores, o que se compreende na medida em que o referendo à firme vontade abortista não calou fundo no coração dos passadistas portugueses que se deram ao trabalho de ir meter o papelinho na urna. Uns infames, é o que são esses tugas mais reaccionários! Feito o elogio à nova carga pró-abortista, VR coloca três temas em discussão, que se desdobrariam noutros tantos - mas enfim - façamos a vontade a VR e limite-se a discussão aos tópicos propostos pelo arauto da "Nova Direita". Vamos então a eles, um a um, ainda que de forma sucinta e em três lembretes separados:

1. VR pergunta quando começa a vida. Num ápice, virando o pensamento do avesso, diz que só podemos saber quando começa a vida se soubermos quando ela acaba. Pensamento notável... Rapidamente conclui que hoje a morte clínica ocorre no momento da cessação da actividade cerebral, pelo que daí extrai o articulista, "um feto não é vida humana", dado que não se lhe (re)conhece - diz a douta referência - vida cerebral. Isto é tão chato quanto sinistro e estúpido de rebater, porque, como bem diz o povo, mais cego que quem não vê.
Como é evidente e está cientificamente provado (desde, pelo menos, a primeira metade do século XIX), a vida começa na sua concepção, gerando um ser único e irrepetível. Ora, começando a vida humana na sua concepção, há que confrontar VR com a verdade; se aí começa a vida humana, talvez não se inicie, isso sim, a chamada vida da pessoa. Pois bem: existem seres humanos que não são pessoas? E só as pessoas têm direito à vida? Ou perguntemos ainda mais: se a coisa se determina ao melhor estilo estalinista pelo início da vida cerebral, porque raio existem as chamadas linhas divisórias? Terá o Dr. Louçã descoberto que a vida cerebral se inicia às 10 ou às 12 semanas? O problema é que nunca nenhuma destas divisórias obtiveram sequer a concordância dos pró-abortistas. Desconheço se VR concorda com a chamada teoria "funcionalista", que defende que para se ser pessoa é preciso fazer o que fazem as pessoas: ter consciência de si, capacidade de resolver problemas, actos racionais -não instintivos ou reflexos-, capacidade de comunicar sem limitação de meios nem assuntos, etc. Ora, a ser assim, VR não tem razão alguma para não defender a legitimidade do infanticídio! Mas, sobretudo neste campo, o que VR não deveria ignorar era a verdade. Os abortistas começam nas 12 semanas, passarão daqui a uns meses a exigir a barbárie até às 18 e quando formos a ver, estamos nas 42 semanas. Importando tese alheia: Porque é que a morte num aborto clandestino até às 12 semanas legitima a legalização do aborto até ás 12 semanas, e a morte na sequência de um aborto às 35 não legitima a legalização do aborto até às 35 semanas?

Em todo o caso, é bom que se note que estas questões técnico-jurídicas são uma falsa questão em tão importante debate. Porque Valores mais altos se levantam.

Sábado, Novembro 22, 2003

Poesia pela Vida

"Sem Nome", um poema de Renato de Azevedo:

Era tão pequeno,
que ninguém o via.
Dormia, sereno,
enquanto crescia.
Sem falar, pedia
-porque era semente-
ver a luz do dia,
como toda a gente.
Não tinha usurpado
a sua morada.
Não tinha pecado.
Não fizera nada.

Foi sacrificado
enquanto dormia.
Esterilizado
com toda a mestria.
Antes que a tivesse,
taparam-lhe a boca,
- tratado, parece,
qual bicho na toca.

Não soltou vagido.
Não teve amanhã.
Não ouviu: «-Querido...»
Não disse: «-Mamã...»
Não sentiu um beijo.
Nunca andou ao colo.
Nunca teve o ensejo
de pisar o solo,
pezito descalço,
andar hesitante,
sorrindo, no encalço
do abraço distante.

Nunca foi à escola,
de sacola ao ombro,
nem olhou estrelas
com olhos de assombro.
Crianças iguais
à que ele seria,
não brincou com elas,
nem soube que havia.
Não roubou maçãs,
não ouviu os grilos,
não apanhou rãs
nos charcos tranquilos.
Nunca teve um cão,
vadio que fosse,
a lamber-lhe a mão,
à espera de um doce.
Não soube que há rios
e ventos e espaços.
E invernos e estios.
E mares e sargaços,
e flores e poentes,
E peixes e feras
- as hoje viventes
e as de antigas eras.

Não soube do mundo.
Não viu a magia.

Num breve segundo,
foi neutralizado
com toda a mestria:

Com as alvas batas,
máscaras de entrudo,
técnicas exactas,
mãos de especialistas
negaram-lhe tudo
(o destino inteiro...)

- porque uns socialistas
nasceram primeiro.

Sexta-feira, Novembro 21, 2003

Regressando a José António

Mais uma vez o incansável e irredutível Duarte Branquinho se disponibiliza para colaborar com este reduto. E desta vez lá foi ele em busca de José António nos seus baús politicamente incorrectos, para encontrar uma relíquia que partilha connosco: um poema de Pedro Correia publicado no "Ofensiva Nacionalista" (n.º 4 de 1979), órgão do velho Movimento Nacionalista para o distrito de Lisboa e intitulado Poema para José Antonio. Reza assim:

Dizem que fomos vencidos
Apenas porque morreste
Loucura do inimigo
Foste tu que o venceste

Morreste, não te lamento
És mais feliz do que eu
Na minha alma grita o vento
Foi por ti que ele morreu

Lá longe onde o sangue corre
E rega a terra maldita
No país onde caíste
Tua vida ressuscita

Do pó em que te tornaste
Nasceu um cântico novo
Daqueles que tu juntaste
Pela Pátria e pelo Povo

A vitória já não tarda
A vingança dá-me alento
Lá fora na noite parda
Já se ouvem cantos no vento

Porque também há crianças no Iraque

Escusado será dizer que a guerra de agressão ataca desde logo e sem piedade os mais fracos, os que menos hipóteses encontram de se defender das armas assassinas do invasor pró-americano: as crianças. Em França, Jany Le Pen vem dirigindo há já alguns anos a associação SOS Enfants d'Irak, com trabalho altamente meritório e que já foi alvo do apoio do Vaticano, nos tempos em que os gurus de Washington mal se lembravam que o Iraque existia. Vale a pena passar por e ajudar, na medida do possível. Não se esqueçam que também há crianças no Iraque. E que elas, ao brincar como quaisquer outras crianças em qualquer parte do mundo, não fazem ideia do valor do petróleo para os idólatras dos dólares, energúmenos dos números, como antecipando a realidade escreveu o Rodrigo Emílio...

Hino à Razão

De Antero de Quental:

Razão, irmã do Amor e da Justiça,
Mais uma vez escuta a minha prece.
É a voz d'um coração que te apetece,
D'uma alma livre, só a ti submissa.

Por ti, é que a poeira movediça
De astros e sóis e mundos permanece;
E é por ti que a virtude prevalece,
E a flor do heroismo medra e viça.

Por ti, na arena trágica, as nações
Buscam a liberdade, entre clarões;
E os que olham o futuro e cismam, mudos,

Por ti, podem sofrer e não se abatem,
Mãe de filhos robustos que combatem
Tendo o teu nome escrito em seus escudos!

Quinta-feira, Novembro 20, 2003

José António (IV)

A colecção de antologias "Cidadela" iniciou com uma compilação de textos de José António Primo de Rivera, trabalho (bem) elaborado pelo social-democrata José Miguel Júdice nos seus tempos de maior fulgor nacionalista-revolucionário e altamente elogioso para o jovem político e jurista espanhol. Ao abrir da colecção, escreveu Goulart Nogueira:

(...) Próximo, ainda, palpitante, com uma fala que mais integralmente nos diz coisas, José António insere-se naquela linha. Uma fala de homem de hoje, de poeta, de mártir, de jovem. A morte estancou-o, violentamente, sangrentamente, em plena juventude. E ele, então, esqueceu asas vitoriosas e desenrolou por espaços e planuras as bandeiras da sua voz. Com ele, nele, encontra-se um testemunho exemplar. Viveu e lutou no nosso tempo, repensou verdades eternas a que deu as necessárias formas actuais, recolheu uma validez universal que entendeu na realidade da sua Nação. Soube ser um intelectual, sem fugir para o intelectualismo, sem se tornar um .puro intelectual., olímpico, um .literato de passeio.. Foi um doutrinador, mas a doutrina recebeu-a não só das leituras, sim também da voz do sangue e da História, corrigiu-a e desenvolveu-a ao contacto do real e da acção, autentificou-a com a vivência combativa e com o sacrifício da morte. Foi um poeta, ao sentir a Poesia da acção, da Ordem dinâmica e harmónica, da Pátria, e insuflando tudo isso numa orgânica e numa prosa iluminada de maravilhamento e idealismo.
(...) Elogiou a Ordem, a harmonia real, orgânica, viva e fecunda, não uma estéril e deformadora obediência a qualquer poder. Louvou a disciplina e a hierarquia, mas na indispensável Justiça Social. Aceitou a autêntica fidalguia (não a dos señoritos), a aristocracia, as "élites", os escóis, mas com o amor e o valor do povo (não o das massas). Quiz a tradição, mas não o conservadorismo. Foi revolucionário, não partidário da sedição egoísta, ambiciosa, libertária, do negativismo ou da anarquia. Exaltou a sua Nação, mas considerou que a Nação é "uma comunidade de destino no universal" e, portanto, igualmente, nisso, as outras nações se legitimam.
José António - eis um pensador e um guerreiro do seu país e deste século. Deu este século ao seu país e o seu país a este século.

José António (III)

Um testemunho de Rodrigo Emílio, publicado nas páginas do jornal "Agora", nº 8, de Novembro de 1994:

Há cinquenta e oito anos, aparados e certinhos, caía, num pátio prisional de Alicante, crivado de balas vermelhas, José António Primo de Rivera.
Foi ao amanhecer do dia 20 de Novembro de 1936 . quando já também empiezaba a amañecer em toda a Espanha (e graças, precisamente, a ele!). que o jovem caudilho falangista em vez de se deixar estiolar numa carreira, preferiu passar, sim, a habitar um destino, selando com este um último e violento pacto de sangue. Abatido com a módica idade de 33 anos, nem por isso deixou de ter, José António, tempo para tudo - e, antes de mais, tempo para proceder à reabilitação, assim pessoal como política, do senhor seu pai, o general-ditador Primo de Rivera, último chefe do governo de D. Afonso XIII. Salva que estava a honra da família, impunha-se, de seguida, salvar a da pátria, - missão a que irá consagrar o pouco tempo de vida activa que lhe resta consumir.
Se, como simples ser humano, José António Primo de Rivera esteve longe de ter uma vida longa, como chefe continua ele a ter uma longa vida à sua frente.

José António (II)

Poucos portugueses terão tido o privilégio de conhecer pessoalmente o líder da Falange. Entre esta rara espécie de homens lusos estava, à cabeça, Rolão Preto, que deixou escrito para os vindouros, no seu livro "Revolução Espanhola":

Foi no mês de Novembro de 34 que eu conheci, em Madrid, José António Primo de Rivera.
Rara e extranha figura de revolucionário que sabia aliar, com elegância extrema, a irreverente audácia do frondeur à natural e requintada gentileza do Grande de España.
Nervoso, espiritual, culto, José António seduzia logo ao primeiro encontro, pelo encanto com que emanavam, da sua personalidade, confiança e fé, através de altos conceitos intelectuais da mais pura linhagem europeia e revolucionária.
Estou ainda a vêr com que avidez êle escutava a absorvia qualquer ideia que lhe despertasse sentimentos inéditos numa visão mais audaciosa da vida e da esperança humana. Então os olhos, os ses largos olhos profundos, alargavam-se ainda mais, como janelas que se abrissem de par em par, a-fim-de que entrassem por elas, sem entraves, livre e benéfica, a clara luz do sol.
Conversámos muito. Trabalhámos bastante, em poucas horas. Talvez que de tantos amigos que lhe recolheram, dia a dia, o pensamento generoso, poucos tenham, como eu, bem sentido a verdadeira projecção dessa bela alma.
Tôda a sua batalha política leváva-a de vencida como um apostolado. Amava as Ideias, no verdadeiro sentido desta palavra amar, isto é, devotando-se-lhes totalmente.
Por isso, o seu pensamento surge-nos sempre como penetrado duma mística poderosa, iluminada pelos reflexos interiores da sua sensibilidade admirável.
Era um crente, antes de ser um soldado.
Pobre José António! Como não considerar, num constrangimento de angústia, a ingratidão, a injustiça do Destino para com êste homem singular, o rude e incansável semeador que não chegou a contemplar a seára doirada, a alta e ondulante seára doirada, que, com tanto amor, com tanta fé, sonhára e entrevira.
Um Estado Nacional-Sindicalista, uma Revolução que tóma os vinte e sete mandamentos por bandeira, ó José António! Eis o teu sonho a quem tu, generosamente, concedeste tudo, tudo até a própria vida.
Jàmais, jàmais se me apagará na memória a figura esbelta, viril, triunfante, de José António Primo de Rivera.
Ei-lo, aprumado, desenvolto, enquadrado na porta de sua casa na Calle Serrano, despedindo-se de mim, braço ao alto, tranquilo e forte . romanamente!
Até sempre, disse. Neste mundo, era até nunca mais!

José António (I)

Uma Ode ao jovem líder falangista da autoria de Azinhal Abelho, dedicada ao seu amigo Humberto Lima Alves, que andou por terras de Espanha na Cruzada pelo Ocidente:

Rajada de cinco tiros
Cravou-lhe o tronco do peito
Que ficou incendiado
E o fez cair sobre a sombra
Num círculo iluminado.

A sua camisa azul,
Com cinco flechas bordadas
Desfez-se em cinza poída.
José António! José António!
O eco de Cara al Sol
Voltou de novo a ter vida.

Pelos caminhos iberos...
Pelas estradas romanas
Secam as rosas dando ais...
Na estrada de Santiago
Há cinco estrelas a mais.

Europa, madre e madrinha!
Bandeiras, cravos e loiros
Desfolham-se sobre a fronte
Deste príncipe perfeito.
José António! José António!
Com cinco tiros pelas costas,
As cinco chagas em sangue
São cinco flechas no peito!

A direita da treta

Pedro Lomba, que eu gosto de ler (com excepção dos dias em que confunde, admito que deliberadamente, Evola com Thiriart) tinha prometido anteontem discorrer sobre o fenómeno da "Nova Direita", classificação que, tanto quanto entendi, Lomba não apreciava. Está como eu, que a designação, nos dias que correm, dá para tudo e para muito pior ainda. Sucede que, apesar de continuar a aguardar com grande interesse o texto de Pedro Lomba sobre essa fraude da nova "Nova Direita". não resisto a deixar de escrever sobre o assunto desde já.
Vamos por partes. A "Nova Direita", na sua origem, designa um grupo de intelectuais franceses reunidos em torno do GRECE (Groupement de recherche et d'études pour la civilisation européene) e que desde então se tem agrupado em torno de excelentes revistas como Éléments (pour la culture européenne) e Nouvelle Écolle. A face mais visível do grupo é Alain de Benoist, durante algum tempo a par do agora um pouco mais afastado Guillaume Faye. A Bíblia desta "Nova Direita" é o livro - extraordinário, quase enciclopédico - "Vu de Droite", aliás em muito boa hora traduzido para português sob o título "Nova Direita, Nova Cultura". Em Portugal, a "Nova Direita" vinda de França tem eco na revista "Futuro Presente", fundada e dirigida por Jaime Nogueira Pinto e onde pontificavam nomes como Nuno Rogeiro, António Marques Bessa, João Bigotte Chorão, Freitas da Costa, Vítor Luís Rodrigues e o grupo do Saldanha, Roberto de Moraes, Carlos Blanco de Moraes, Pinheiro Torres, António José de Brito, e, mais recentemente - que a revista ainda existe, de um ou outro arrependimento juvenil. Muito se falava então de um gramscismo de direita, o que pressupondo pensamento, significaria alguma acção. Aliás, a revista fazia por lembrar Bergson em todos os números: Homem completo é aquele que age como homem de pensamento e pensa como homem de acção. E nessas páginas sempre foi dada atenção ao conjunto das direitas, das que lembramos e das que esquecemos, sem pretender que algumas direitas estariam mais distantes das outras do que do reviralho mais amigalhaço.
Feita a nota introdutória, é com "choque e espanto" que vejo, ultimamente, alguns ditos intelectuais da direita que a toda a força e velocidade querem virar à esquerda, armarem-se em importante grupo de pensamento. Dizem eles - e diz-se deles - que são a "Nova Direita". Ora bolas, que Alain de Benoist não merecia tão desajustada e desagradável equiparação!
Começou o Público a fazer-lhes referência enquanto "Nova Direita", por alturas do último congresso do CDS, dizendo que o grupo se desdobrava em artigos no semanário Independente, fazendo questão de colocar o nome de João Marques de Almeida e Vasco Rato - dois americanófilos do mais primário que pode existir e se pode conceber - em primeiro plano. Já hoje, no Independente, são dadas (pelo menos) duas páginas a tão distintas figuras, onde se pode ler como que em apresentação da triste prosa publicada, o que se segue: A nova Direita é liberal, mas não reduz o seu liberalismo à economia. [fulano e beltrano] explicam porquê.
O que se segue é de inenarrável mau gosto, típico daqueles para quem não existem nenhuns valores que não sejam o mais primário carneirismo face aos neo-conservadores Estados Unidos. Se o texto de Marques de Almeida é inócuo ao ponto de ocupar uma página e nada de especial dizer, já a prosa de Vasco Rato - "A descriminalização do aborto" - não pode passar em claro e merecerá refutação ponto a ponto nos próximos dias. Vasco Rato tem, como é evidente, todo o direito a escrever o que pensa e a pensar o que escreve; mas é eticamente reprovável que se assuma como a tal "nova direita" para assinar três colunas de disparates pegados, que se sucedem uns atrás dos outros, e, para mais, cheios de pequenas nuances que facilmente deixam claro a qualquer primeiranista de Ciência Política a sucessão de complexos de esquerda que lhe inundam o pensamento. Como é evidente, fica claro que nenhum destes cavalheiros leu a "Nova Direita". Esta gente é a "direita" que, indiscutivelmente, convém à esquerda e lhe apara os golpes. É a direita do centro. É a direita da treta.

José António, uma Ode e três testemunhos

Neste dia 20 de Novembro completam-se 67 anos sobre o assassinato de José António Primo de Rivera às mãos sangrentas dos rojos. Curiosamente, pretendeu o destino que não seja figura conhecida por aí além, culpa que de todo não lhe cabe. José António, fundador da Falange Espanhola, foi um homem do seu tempo, como já hoje certamente não haverá iguais. Sem que eu saiba explicar o motivo recorrendo à razão, sempre tive uma enorme admiração pelo chefe falangista. Sempre tive, aliás, enorme respeito pelos que souberam morrer pelas ideias que defendiam (coisa absurda nos dias que correm), e, nesse aspecto, José António - como Corneliu Codreanu, outro homem europeu admirável - foram exemplos inigualáveis.
Como muito bem escreveu Giorgio Almirante no seu livro "José Antonio Primo de Rivera" (Ciarrapico Editore, Roma, 1980) - obra que de todo se aconselha, José António está vivo connosco e não morrerá connosco; ou seja, a maravilhosa procissão de jovens que durante 400 quilómetros, desde Alicante até ao Escorial, acompanhou os seus restos mortais venerando o seu espírito, continua e continuará: levando às costas - às costas da jovem Espanha, da eterna Espanha, da jovem Europa, da eterna Europa - não o seu corpo e a sua memória, mas sim a sua jovem mensagem, a eterna mensagem de José António.
Tinha intenção de, neste espaço e nesta data, deixar aqui uma ode ao líder falangista e quatro testemunhos portuguesíssimos sobre José António. O Manuel Azinhal, que se me antecipou, já publicou um dos testemunhos que tinha em mente aqui deixar, de Jaime Nogueira Pinto. Aliás, o Sexo dos Anjos já prestou o serviço público de legar à blogosfera trechos do Testamento Político Joseantoniano, com tradução de José Miguel Júdice, autor aliás de uma boa antologia do pensamento do fundador da Falange.
Seguem-se então uma Ode e três testemunhos portugueses de um dos mais fascinantes europeus de sempre. Dedico as linhas que se seguem aos meus amigos que, por terras de Espanha - em especial aos da Vieja Guardia - ainda acreditam, cara ao sol, que um dia volverá a amañecer.

Quarta-feira, Novembro 19, 2003

Ainda a neutralidade da Constituição

Do Duarte Branquinho, o mais ilustre colaborador deste espaço de dissidência, recebi apreciável contribuição sobre o famigerado artº 46º da Constituição.

Em relação ao artigo 46.º da CRP, que proíbe as "organizações que perfilhem a ideologia fascista", lembro-me que há uns anos, antes da última revisão ter acrescentado a referência a "organizações racistas" no mesmo artigo, o reputado constitucionalista Jorge Miranda explicava num programa da SIC que "organizações fascistas" não podiam confundir-se com partidos de "extrema-direita", como pretendia uma parte da esquerda.
O Prof. entendia que o que o legislador à altura pretendeu evitar foi o reaparecimento de organizações do tipo "Mocidade Portuguesa" e "Legião Portuguesa", daí a razão de o artigo referir também "associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares".
O que infelizmente não foi trazido ao debate foi uma lei de 1978 (e não de 76, Pedro), bastante representativa do espírito de tolerância e defesa dos valores democráticos e da liberdade de expressão que se vivia nessa altura. A Lei n.º67/78, de 6 de Outubro, que insere disposições relativas a organizações fascistas.
Para quem não conhece, transcrevo um artigo, que no meu entender é elucidativo:

«Artigo 3.º
1 - Para o efeito do disposto presente decreto, considera-se que perfilham a ideologia fascista as organizações que, pelos seus estatutos, pelos seus manifestos e comunicados, pelas declarações dos seus dirigentes e responsáveis ou pela sua actuação, mostrem adoptar, defender, pretender difundir ou difundir efectivamente os valores, os princípios, os expoentes, as instituições e os métodos característicos dos regimes fascistas que a História regista, nomeadamente o belicismo, a violência como forma de luta política, o colonialismo, o racismo, o corporativismo ou a exaltação daqueles regimes.
2 - Considera-se, nomeadamente, que perfilham a ideologia fascista as organizações que combatam por meios antidemocráticos, nomeadamente com recurso à violência, a ordem constitucional, as instituições democráticas e os símbolos da soberania, bem como aquelas que perfilhem ou difundam ideias ou adoptem formas de luta contrárias à unidade nacional.»

Resumindo: segundo este tratado de tolerância tudo, ou praticamente tudo, pode ser "fascismo".
Dado que a minha exposição já vai longa, não vou agora desmontar o articulado enumerando variadíssimos casos que podiam ser incluídos nesta lei e que para qualquer pessoa nada têm de "fascista".
Deixo só um exemplo para reflexão: esta lei considera fascistas "ideias ou formas de luta contrárias à unidade nacional". À luz do elemento histórico da interpretação da lei, compreende-se esta inclusão que claramente se refere aos movimentos independentistas dos Açores e da Madeira, que na verdade eram fugas à tentativa de instauração de um regime comunista totalitário em Portugal, alinhado com a URSS, por aqueles que agora são os campeões da democracia e da liberdade. Apesar disso, alguém consegue perceber este articulado hoje? Como justificá-lo em pleno século XXI?
O problema é que no suposto estado de direito democrático vigente, apesar desta lei já não fazer sentido, quem tentar revogá-la ou apenas modificá-la será automaticamente marcado com o carimbo "Fascista", mesmo que o faça com a mais democrática das intenções
.

Meu caro Duarte: é de facto uma lindíssima peça jurídica. Quando ontem escrevi sobre o assunto, ficou-me a dúvida sobre o ano de tão estúpida Lei; algo me dizia que não era de 76. Será então de 1978. Não assumo a coisa como sendo um erro grave. A porcaria, à época, era basicamente a mesma.

Observatório da globalização

O Último Reduto inicia hoje uma nova secção: o observatório da globalização, que não só se justifica, como é lamentável que não tenha aparecido antes. Aliás, aqui há dias, dizia com notável clarividência o Manuel Azinhal: Perante a mundialização, a única resistência eficaz é a defesa das identidades, nacionais, regionais, culturais, religiosas ou outras. Face à massificação, opor a diversidade e a identidade. Ora nem mais.
Agarrada a ideia, particularmente importante nos dias que correm, e com o auxílio das recomendações de Alain de Benoist, sugiro três ligações capazes de demonstrar, a quem o queira ver com um mínimo de honestidade intelectual, o mal que o mundialismo faz aos povos e às respectivas identidades locais:

1. O International Forum on Globalization publica um interessante mapa em formato PDF que coloca em evidência os efeitos negativos da mundialização. Façam o download do dito cujo e analisem com atenção.

2. O IWGIA - International Work Group for Indigenous Affairs, entidade fundada em 1968 pelo antropólogo norueguês Helge Kleivan e cujo secretariado tem sede na Dinamarca, publicou edição actualizada do The Indigenous World, o anuário que se dedica a estudar os problemas reais que afectam os povos autóctones de todo o mundo. Elaborado sob a direcção de Diana Vinding, são 448 páginas demolidoras para os efeitos perversos do capitalismo selvagem que tudo parece poder.

3. O poderio militar dos states, a nova polícia do mundo, prometeu atingir a sanidade física e mental dos esquimós da Gronelândia e já conseguiu. Estas notícias não constam da imprensa de referência, mas, graças a Deus, sempre podemos recorrer ao AlterMedia.

Já bem dizia o Rodrigo Emílio

No "Primeiro Corpo da Reunião de Ruínas - poemalivro d'Exílio e Viagens" (1974/77):

De povo de missionários
a povo demissionário...

Terça-feira, Novembro 18, 2003

Incursões nos domínios do Direito

Isto de um não jurista ter pretensões a discutir propostas de revisão constitucional tem muito que se lhe diga. Espero, meus amigos, não me espalhar olimpicamente ao comprido. Os juristas da blogosfera a quem o tema possa interessar dirão depois de sua justiça. Decorre esta minha vontade de escrevinhar, conforme prometido aqui há dias, algumas linhas sobre a apresentação de uma proposta de revisão constitucional defendida pela actual maioria, em que, de acordo com o que li no Público - pelo que me penitencio aos leitores de maior fidelidade - o PP não terá levado um "banho de bola" assim tão grande como eu previra aqui há dias. Para início de conversa, quero dizer que não acredito em neutralidades constitucionais. O que o PP diz defender - uma "Constituição neutra" - não existe. Existirão, no máximo, neutralidades colaborantes.
Vejamos pois, com os devidos considerandos, quais as principais marcas "centristas" da actual proposta, pelo menos as que me merecem análise mais cuidada e que são três. Desde logo, a célebre questão do "direito à vida desde o momento da concepção", semântica que constava da proposta inicial dos populares e que eventualmente impossibilitaria o esforço hercúleo dos que querem obrigar os portugueses, pelo cansaço e a toda a força, a aceitar nas urnas o alargamento da "interrupção voluntária da gravidez", que, como escrevia aqui há uns bons anos Nuno Rogeiro na Futuro Presente, mais não é do que um eufemismo que permita evitar mencionar o monstruoso termo: aborto. É certo que o projecto apresentado não está conforme o texto original. Mas não é menos certo que alguma coisa entra, nomeadamente a ideia de que entre as tarefas do Estado passa a constar, no artº 9º, a de "promover as condições de efectiva protecção do direito à vida (...)". Menos mal que podia ser pior.
Em segundo lugar, interessa relevar a questão dos limites materiais à revisão da Constituição, uma coisa sinistra, cheia de alíneas e que pretenderia servir de salvaguarda para sabe-se lá o quê, talvez uma nova "Monarquia do Norte". Com a diminuição destes limites, deixamos de ter de ver essa garantia mais que sinistra da "forma republicana de governo".
Por fim, interessa-me o artº 46º, o tal que proíbe as "organizações que perfilhem a ideologia fascista", não os absolvendo apesar disso (aos fascistas), de pagar escrupulosamente os seus impostos ajudando a combater o défice e cumprir com outros deveres de cidadania. O que está mal: ora, se não lobrigam os fascistas direitos de organização e acção política, por alma de que Marx terão eles que suportar os inerentes deveres? Interessa-me este assunto não propriamente porque tenha a intenção de fundar organização deste tipo (nem sequer pretendo, desde já o declaro publicamente, alistar-me em nenhuma que venha a ser criada), mas sobretudo porque isto mais não é do que semântica marxista muitíssimo barata ("não neutra", segundo a fraca lógica argumentativa do partido do Dr. Portas), que se presta simplesmente a poder eliminar com alegada legitimidade qualquer opinião mais inconveniente. Sucede que neste caso, e em matéria constitucional estamos muito no campo da semântica, a proposta da maioria não só não neutraliza como ainda alarga o âmbito da conversa. Ora notem: o que agora se propõe reza como segue: "Não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem ideologias totalitárias". É precisamente aqui que se me colocam de imediato duas dúvidas:
1. Aprovada a nova carta, iniciará o excelentíssimo Procurador Geral da República processo tendente a decretar de imediato a proibição de todos os partidos políticos à esquerda do Partido Socialista?
2. E, no caso das organizações racistas, terão os próprios mentores do projecto do PP dado um tiro no pé? Ou, dito de outra forma e trocado em miúdos, quando o seu líder gritar num pequeno ajuntamento popular: "os empregos para os portugueses em primeiro lugar", a nova carta vai aplicar-se a todos? ou só a alguns? Dito ainda de outro modo: vai o Dr. Portas malhar com os costados no Linhó e conhecer por dentro a obra prisional do Estado Novo, depois de passar pelo Palácio Ratton?
O grande problema deste artº 46º é que se trata de uma verdadeira arma de arremesso e destruição em massa, que pode ser usado ao sabor das conveniências do momento. Ainda para mais, e para quem não saiba, a coisa não se fica por aqui. Existe uma Lei de 1976, salvo erro - articulado do mais sinistro que o nosso poder legislativo já pariu - que vem enquadrar penalmente este preceito constitucional. A dita Lei, para além de defender uma "classificação" de fascismo que significava reprovação certa e redonda em qualquer faculdade de Ciência Política do mundo, é um exemplo acabado de legislação "não neutra", a tal que o Dr. Portas queria colocar nas estantes da história.
Mas esta proposta centrista de articulado constitucional ainda me suscita a seguinte dúvida: tendo em conta que só os cidadãos podem constituir associações - dado que aos canídeos isso ainda não é permitido - e atendendo a que aos comunistas passará a estar vedado o direito de associação e organização política, serão os ditos comunistas considerados cidadãos? Ao abrigo do projecto de revisão constitucional, parece que não. Diria mesmo mais: dado que "a Assembleia da República é a assembleia representativa de todos os cidadãos portugueses", composta por deputados que apresentem as suas candidaturas "pelos partidos políticos", estará ao sr. Louçã vedada a participação na vida política cá do burgo? Tenho dúvidas. Muitas dúvidas. Meus caros leitores, isto é democracia a mais para a minha humilde camioneta.

Segunda-feira, Novembro 17, 2003

El-Rei

De Branca Gonta Colaço. Como quase sempre, recomenda-se ouvida na voz de José Campos e Sousa. É favor comprar o disco (Portugal Sempre) nesta discoteca.

Longe da luz
A que sonhou na infância
Em vez de predomínio e de conquista
Sonhos de amor
Entre visões de artista
Morreu de desconsolo e de distância

Caminho aberto
À morte por essa ânsia
Que mais se exalta
Quanto mais contrista
De quem recorda o lar que nunca avista
E se consome em lúcida constância

Porque acima do trono e da realeza
Havia o céu azul, a claridade
Da sua amada Terra Portuguesa
Havia a Pátria, e dizem, que impiedade
Dizem que não se morre de tristeza
Dizem que não se morre de saudade.

Domingo, Novembro 16, 2003

A estúpida realidade da sinistralidade

Acertada a coisa com mais alguns amigos, ele tinha ido divertir-se numa célebre noite na Avenida 24 de Julho, que, sem grandes certezas, acho que se chamava a "noite verde" e decorria na madrugada de 24 para 25; uma festarola à madrilena - Madrid tinha na época várias festanças deste tipo - que envolvia quase todos os bares e discotecas da região e que vinha sendo imensamente apregoada nos meios universitários mais propensos às farras. Ele tinha estado a trabalhar (e a divertir-se, pois então) no estrangeiro durante alguns meses e havia regressado a Lisboa poucos dias antes do badalado acontecimento. Foi, também por isso, dos primeiros a alistar-se para o atractivo programa. Entre os amigos convocados e as amigas e os copos que por lá os esperariam, estavam à partida encontrados os condimentos para que fosse uma noite memorável. E, assim ditou o desgraçado destino, a noite foi mesmo memorável. Tão memorável que os amigos dele ainda hoje a não esquecem. Curiosamente - coisa rara nele - resolveu vir mais cedo para casa, nas avenidas novas, dando boleia a um outro amigo para quem a festa não estaria igualmente a corresponder às expectativas. Caminho mais curto para casa, a Avenida de Ceuta em noite de chuva traiçoeira, transformou-se numa estrada de morte para aquele Honda Civic relativamente recente e convidativo a andar depressa, um pouco depois do Casal Ventoso. O violento acidente retirou-lhe(s) de imediato a vida.
Se houvesse uma escala capaz de medir fielmente as amizades, o Hugo era muito provavelmente o meu melhor amigo...
Tenham cuidado na estrada que pode ser que ainda cá estejam amanhã!

Prece

De Fernando Pessoa, com especial dedicatória aos que vão vendo por aqui saudosismos diversos; recomenda-se ouvida, pela voz incomparável do José Campos e Sousa:

Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.

Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.

Dá o sopro, a aragem - ou desgraça ou ânsia -
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistaremos a Distância
- Do mar ou outra, mas que seja nossa!

Os Madrugadores

Portugal anda num frenesim partidário! Não satisfeita com mais de trinta partidos já existentes - a fazer fé nas preciosas indicações que a imprensa de referência nos vai dando, a Pátria verificou que na semana passada cerca de duas centenas de pessoas levantaram em ombros um ajuntamento popular com o intuito de jurar fé eterna a uma nova força. Com as devidas distâncias, que explicam algum do calor do texto, fez-me a ocasião lembrar um editorial aparecido no nº 3 de "No Importa - Boletin de los Dias de la Persecucion" (publicado em 20 de Junho de 1936), que era uma espécie de jornal clandestino dos falangistas no período - por sinal democratíssimo - que antecedeu o início da guerra civil de Espanha. Não se conhece o autor do texto, embora seja certo que José António, já então encarcelado em Alicante às mãos vermelhas que o viriam a assassinar, aprovou a sua publicação, cujas provas tipográficas lhe haviam chegado, como habitualmente, pela mão de dois (excepcionalmente) corajosos militantes falangistas: Gaceo e Cadenas. A prosa era dedicada à "direita" de então e levava por título: "Vista a la derecha - aviso a los madrugadores". Aqui vos deixo tão histórico documento.


Vamos a ver si nos entendemos: Entre la turbia, vieja, caduca, despreciable politica española hay un tipo que se suele dar com bastante frecuencia: el del .madrugador.. Este tipo procura llegar cuando las brevas están en sazón . las brevas cultivadas con el esfuerzo y el sacrificio de otros . y cosecharlas bonitamente.
Nunca veréis al "madrugador" en los dias difíciles. Jamás se arriesgará a pisar el umbral de su patria, en tiempos de persecución, sin una inmunidad parlamentaria que les escude. Jamás saldrá a la calle con menos de tres o cuatro policias a su zaga. Su cuerpo no conocerá las cárceles ni las privaciones.
Pero - eso sí - si otros, a precio de las mejores vidas - muertos paternos de la Falange! - logran hacer respetable una idea o una conducta, entonces el .madrugador. no tendrá escrúpulo en falsificarla. Así, en nuestros dias, cuando la Falange, a los tres años de esfuerzo, recoge los primeros laureles públicos - cuán costosamente regados con sangre! - el "madrugador" saldrá diciendo: - pero si lo que piensa la Falange es lo que yo pienso! Si yo también quiero un Estado corporativo e totalitario! Incluso no tengo inconveniente en proclamarme "fascista".
Algunos ingenuos camaradas hasta agradecerían esta repentina incorporación. Creerán que la Falange ha adquirido un refuerzo valioso. Pero lo que quiere el "madrugador" es suplantar a nuestro movimiento, aprovechar su auge y su dificultad de propaganda, encaramárse en él y llegar arriba antes de que salgan de la cárcele nuestros presos y de la incomunicación nustras organizaciones. En una palabra: madrugar.
El madrugador no tiene escrúpulos. A codazos se abrirá paso en sus propias filas. Traicionará y tratará de eclipsar a sus jefes (tanto más fáciles de eclipsar cuanto mas elegantemente adversos a esa especie de groseros pugilatos). Contraerá a cada instante la voz y el gesto con los que más pueda medrar. Y cultivará sin recato la adulación: en nuestros tiempos - para llamar a las cosas por sus nombres - la adulación a las fuerzas armadas. El madrugador siempre cuenta con el Ejército como un escabel más: está convencido de que unos cuantos jefes militares arriesgarán vida, carrera y honor para servir la ambición hinchada y ridícula de quines los adulan.
Si lo que se ventilara fuera el acceso a los cargos públicos, lleváranselos enhorabuena los madrugadores! Esos cargos públicos, servidos con abnegación, son la mas espinosa carga imaginable. A buen seguro que ninguno de nuestros camaradas de primera fila daría de grado su libertad, su juventud, su vida llena de atractivos, por la dura servidumbre de un ministerio.
Pero no se trata de ser ministro. Para serlo en estos tiempos en que se producen más de ochenta min istros cada cinco años, hay caminos más llanos que el de la Falange. Se trata de hacer a España. De hacer a España con arreglo a su entendimiento de amor que sólo poseen los que lo han adquirido en las horas tensas difíciles. (...) Que alguien escuche y desmenuce el lenguage de los "madrugadores": ese lenguage espeso, inflado, prosáico, abrumadoramente abundante y grotescamente impreciso. Podrá alguien percibir en ese lenguage el menor aleteo de la gracia? (...) Y será inútil el madrugón. Aunque el "madrugador" triunfara le serviría de poco su triunfo. La Falange, con lo que tiene de ímpetu juvenil, de acervo intelectual, de brío militante, se le volvería de espaldas. Veríamos entonces, quién daba calor a esos "fascistas rellenos de viento".
Nosotros, para ver passar sus cadáveres, non tendríamos más que sentarnos a la puerta de nuestra casa bajo las estrellas.

Sábado, Novembro 15, 2003

Arriba España

O autor dos estudos sobre a guerra civil espanhola queixa-se da inacessibilidade da iconografia falangista na internet. Vá lá a gente entender estes considerandos... Então se os discípulos de José António é que ganharam a guerra, por muito que isso custe aos ditos Estudos, não haverá por essa rede fora iconografia disponível? Ora bolas. Meu caro, apresento-lhe o Google, onde a encontrará em excesso e com fartura. Se ainda assim não conseguir, prometo publicamente, desde este humilde reduto, enviar uns quantos megas de carteles. Espero não inundar a caixa de correio!

Rosa Casaco na primeira pessoa

Depois da D. Quixote ter andado a engonhar ad eternum a publicação do livro, Rosa Casaco publicará as suas memórias em edição de autor; pelo menos é isso que nos diz o Independente de sexta-feira, em que Inês Serra Lopes lhe faz uma interessante entrevista. A linhas tantas, lê-se:

P. No livro fala de uma mala verde, com documentos importantes sobre políticos, que está a recato, mas que não pretende usar nunca, enquanto estiver vivo. Então porque os guarda? E porque revela a sua existência?
R. Deixarei isso aos meus filhos. Eles decidirão. Eles compreenderão quem foi o político português que fez vários depósitos de 100 mil dólares americanos numa empresa financeira, em Paris, na Rua Murillo, já depois do 25 de Abril.

P. Mas, se vai confiar tudo isso aos seus filhos, para eles decidirem no futuro, porque fala nisso agora?
R. ...

P. Será para avisar alguém, de que, algum dia, a História irá ser escrita com todas essas informações?
R. Talvez. Pode ser!

Brevemente, numa livraria perto de si...

Ainda a literatura vinda da Gália

No mesmo pacote do livro de entrevistas a Bruno Gollnisch de que ontem aqui falei, vinha um outro - "Les Chemins de la Victoire" - de Jacques Bompard, editado pela Déterna. Bompard, pai de uma família numerosa, académico, cirurgião e dentista, para além de velho militante de base do Front National, foi eleito presidente da Câmara de Orange em 1995. A comunicação social que temos, ainda atordoada com o resultado, logo vaticinou: o homem está arrumado. Agora que deixa de ser oposição para, no governo da polis, ter que apresentar obra é que vão ser elas e se vão demonstrar como são demagogos esses apoiantes de Le Pen. O resultado de tanta demagogia apregoada foi uma reeleição triunfal em 2001, à primeira volta, com mais de 60% dos votos. Nada que não se possa vir a ver por estas bandas um dia destes. É um livro que se aconselha, neste caso para melhor compreender como se conquista eleitoralmente uma localidade, sem se perder a confiança dos fregueses, antes pelo contrário.
Não satisfeito com ensinamento de tal importância, Jacques Bompard ainda tem tempo para se atirar sobre o mundialismo, as sociedades multiculturais, a agricultura, a defesa, a criminalidade e outros temas de pujante actualidade. Para encomendar aqui.

Sexta-feira, Novembro 14, 2003

Gollnisch - Um livro essencial

Todos nós somos suspeitos a recomendar livros e eu não serei excepção. Recebi ontem, por correio tradicional já que estamos em semana disso, "La Réaction, c'est la vie!", o resultado de uma longuíssima entrevista do jornalista Richard Haddad a Bruno Gollnisch - nº 2 do Front National - publicada já em 2003, pelas Ed. Godefroy de Bouillon, pelo que é de grande actualidade, tratando a título de exemplo, questões como a do Iraque e da situação internacional que se lhe segue. Gollnisch é advogado, poliglota e senhor de uma notável carreira universitária na Universidade de Lyon, para além de ser deputado ao Parlamento Europeu e homem de uma transparência exemplar.
Este livro é essencial por uma série de razões, mas permito-me aconselhar a sua leitura, em especial, aos mais jovens militantes nacionalistas. Porque é, desde logo, um notável ensinamento de como não virar as costas às adversidades constantes e às rasteiras dos media; de como saber perder sem virar as costas às ideias professadas; de como assegurar a militância e a sobrevivência de um partido que nunca passa dos 0,1%, até que um dia, contra todas as sondagens e fruto de um trabalho lento mas constante, rebenta com todas as escalas eleitorais previsíveis, possíveis e imaginárias; de como, apesar de tudo o que se escreveu, é possível manter uma dignidade exemplar. Bruno Gollnisch, para quem não saiba, era o homem que Jean Marie Le Pen propunha para primeiro-ministro de França no caso de se ter verificado a sua vitória presidencial. E, neste livro, fala na primeira pessoa. Absolutamente a não perder, pode ser comprado aqui.

Quinta-feira, Novembro 13, 2003

És cá dos nossos, és cá dos nossos...

O Descrédito - mestre blogosférico na arte da catalogação fácil - insiste em aumentar o número de blogues classificáveis na "extrema-direita", coisa que tecnicamente não se percebe muito bem o que é mas que quero acreditar não seja insultuoso, muito pelo contrário. É que o Descrédito - o tal que quer aprender croata mas acha caro o que lhe pedem pelas lições - junta nessa categoria os melhores blogues cá do burgo, e se assim não é, ora constatai: estão lá os Caminhos Errantes, o Nova Frente, o Sexo dos Anjos, este vosso humilde e fiel serviçal e, última e poderosa aquisição, o Velho da Montanha! Meus amigos: se isto não são as elites, o que são as elites?

Cântico de Fé

Os nossos homens partiram finalmente para o Iraque. Que tenham sorte, como se lê no Abrupto, é o meu desejo sincero. Nenhum português lhes pode virar as costas neste momento. Tiveram treino adequado com o equipamento desejável? Foram treinados para uma missão de paz e vão encontrar uma situação de guerra incontrolada ou terrorismo impiedoso? Seria a GNR a força operacional adequada ao terreno? Pouco importa neste momento. Se a (ir)responsabilidade do (des)governo português os mandou para essas babilónicas paragens fazer figura de colaboracionistas, pouco mais nos resta que rezar e torcer pela sua integridade física e mental. Para que possam regressar em paz para junto de quem lhes quer bem.
Uma das coisas que me dá que pensar é se aqueles homens estão conscientes do que representam para o povo iraquiano; e, estando, se estão ou não de acordo com as ordens governamentais e par(a)lamentares. Sempre me surgem estas dúvidas desde que há poucos anos, mais concretamente por alturas do selvagem ataque aliado à Sérvia, um meu (bom) amigo espanhol viu um dos seus melhores amigos de infância partir para os bombardeamentos a Belgrado. A sua consciência . a do amigo do meu amigo - entendia que era de todo injusto o morticínio decidido pelos sinistros poderes político-económicos a mando de Washington. Trocado por miúdos, aquele militar em vias de partir para uma base a norte de Itália, homem de inspiração falangista, estava politicamente nos antípodas das motivações do ataque da NATO. Mas ainda assim partiu e cumpriu com o que o seu governo lhe exigia. A sua condição de soldado falou mais alto e, tendo graças a Deus regressado sem problemas ao terreno paraíso de Menorca, com vida e saúde, arrumou de imediato com uma carreira militar de grande sucesso. Hoje, ao que parece, mudou de vida e nada mais quer com as forças armadas espanholas; talvez já se imaginasse, anos depois, a mandar bombas amigas sobre Bagdad. Não sei se os nossos homens no terreno, ao olhar - olhos nos olhos - o povo e as crianças do Iraque, não arrumam também eles as botas no baú das recordações de uma vida, no momento da chegada; Deus dirá. Independentemente disso . e até lá . que tenham sorte; mesmo muita sorte. Que regressem, rapidamente e em força, independentemente da triste vontade do cherne. Até já!

Quarta-feira, Novembro 12, 2003

Está bem visto, sim senhor

No recomendável Cataláxia, diz o Rui, a propósito da entrevista de Paulo Teixeira Pinto a O Diabo de que publiquei ontem algumas transcrições: Eu julgo que o Dr. Teixeira Pinto é o mesmo Paulo Teixeira Pinto que foi, durante anos, assessor e secretário de Estado nos governos do Prof. Cavaco Silva. E não me lembro, então, quando ele dispunha de uma posição politicamente privilegiada e com poder de decisão, de o ouvir pronunciar-se, nestes termos pelo menos, sobre a posição portuguesa na União Europeia. Nomeadamente, em 1992, quando foi ratificado o Tratado de Maastricht. Não terá então percebido, ele que é um jurista altamente qualificado, que foi aí que se decidiu avançar para uma inevitável integração política das Comunidades Europeias? Ou só lhe estão a dar agora, quando, infelizmente, não ocupa nenhum cargo governamental, as saudades da Pátria?

Faço minhas as palpitações do Cataláxia. Mas mais vale tarde do que nunca, ou, no caso do Dr. Teixeira Pinto, quem sabe nunca esquece...

Entrevista de Luís Fernandes a Walter Wentura

Ainda n'O Diabo de ontem, o Luís Fernandes (um grande abraço!) explica em detalhada entrevista todo o enquadramento da sua nauseabunda prisão, relatando os devidos e necessários episódios. Em causa está um caramelo - Camilo de sua graça - que, quase com um ano de antecedência sob a independência de Moçambique, se passou para o lado do inimigo, desatando a prender ex-camaradas de armas, de braço dado com terroristas e desertores. Sucede, como saberão os leitores mais antigos e atentos deste espaço, que o referido caramelo é Vice-Presidente da Liga dos Combatentes e coleccionador de naturais comendas. Enfim, um nojo.
Pois bem; a partir da entrevista hoje publicada pelo semanário O Diabo, das três uma: ou Walter Wentura e Luís Fernandes são objecto imediato de um processo-crime por andarem a fantasiar a História de Portugal, vilipendiando terceiros; ou o caramelo se demite e emigra para bem longe, coberto de vergonha; ou, em alternativa, terá o referido caramelo que ser demitido pela Tutela, leia-se, pelo Dr. Portas. A não ser assim, passamos a ter não um, mas dois caramelos.

Ainda Paulo Teixeira Pinto n'O Diabo

Lê-se sob o título "Só a desvinculação da UE evita morte da soberania nacional":

(...) este embrião de Estado unitário ultrapassou as minhas piores expectativas, superando em muito o modelo que se vinha desenhando do Estado federal. (...) Com o Estado federal deixariamos de ser um Estado independente em sentido formal e manteriamos apenas alguma soberania constituinte; com o eventual advento do Estado unitário tenho dúvidas se ficaremos com alguma coisa. (...) a soberania nacional está em estado comatoso, mas pode ser evitada a morte anunciada (...) O "dossier" das pescas é lastimável que tenha passado a ser uma competência exclusiva e comum a nível europeu quando é sabido que metade dos países não tem mar. (...) existem países que julgam ter a vocação natural de decidir o destino comum de todo o continente usando para tal dois pesos e duas medidas, bem patente, aliás, no cumprimento do Pacto de Estabilidade, que no caso da França raia o obsceno ao assumir que as regras não são para cumprir. (...) começo a ter dúvidas que os políticos queiram elucidar os portugueses. (...) O maior desafio político da nossa geração está a ser tratado como se de uma inevitabilidade ou de uma contingência diária se tratasse. O debate da Constituição europeia é prioritário, mas prefere discutir-se o que está mal (que está) na Constituição portuguesa. (...) Creio que os portugueses vão rejeitar massivamente o documento; quando for explicado com clareza o que está em causa a maturidade popular virá ao de cima, como se viu, aliás, em referendos anteriores, contra todas as expectativas e probabilidades. (...) a História de Portugal tem confirmado que nos momentos de colapso houve um divórcio entre o povo e a elite e que foi sempre o povo a ter a razão, quando as elites abdicaram da sua responsabilidade em momentos decisivos para o País.

Terça-feira, Novembro 11, 2003

Este homem deixou de ser politicamente respeitável!

Apenas dois dias depois de ter marcado presença no congresso da Nova Democracia, Paulo Teixeira Pinto, ex-Secretário de Estado nos tempos do Prof. Cavaco, causa novo calafrio ao politicamente correcto. Desta vez - e a fazer fé na capa do recomendável semanário O Diabo - Teixeira Pinto advoga a saída da União Europeia para salvar a soberania nacional. Aguardam-se os comentários dos habituais analistas, eles sim, autênticos demagogos nas palavras do Prof. Maltez vertidas para o Diário Digital (ver o link um nadinha mais em baixo).

Não pensas como eu e eis a excomunhão, onde se fala de Carl Schmitt

Hoje recebi por correio postal, uma forma de resistência à modernidade como outra qualquer, o número de Outubro da excelente "Éléments", revista que faz a vez de último reduto da nouvelle droite de Alain de Benoist, bem menos complacente com o mundo moderno que a nossa "nova direita", tanto mais agora que por cá já existem várias, sempre mais sinistras que as anteriores.
Tema central deste número 110 é L'Affaire Carl Schmitt. Por essas páginas se dá conta, pela pena incansável e demolidora de Alain de Benoist, da gigantesca campanha que vem sendo erguida em terras gaulesas contra a memória e a obra do jurista Carl Schmitt, na esteira do que já havia sucedido com Mircea Eliade, o historiador das religiões. Tudo terá começado por responsabilidade de Yves Charles Zarka, que nas páginas literárias do Le Monde, triste referência jornalística lá da terra, escreveu um artigo contra (e não sobre) o autor maldito, o que nos leva a crer que mais dia menos dia a feroz censura a Schmitt chegará às terras dos Montes Hermínios... Foi a dita criatura, jornalista de ocupação profissional, mais tarde secundada por estudiosos tão independentes como Barbara Cassin, Blandine Kriegel, Alexandra Laignel-Lavastine ou André Glucksmann. Acusação: trata-se de um "filósofo nazi". Tout court, já está, embrulha! Conhecer a vida e a obra de Schmitt, que só por muita gentileza se poderia considerar filósofo, quanto mais filósofo nazi... não interessa, é coisa de fascistóides vulgares e intratáveis. A sentença está desde já ditada.
Pouco interessa para esta gentinha que Carl Schmitt tenha estado votado a um "exílio interior" por determinação de Himmler e Rosenberg - líderes nacional-socialistas, ou que tenha constatado que o seu pensamento era incompatível com o terceiro reich, tendo mesmo chegado a pedir a interdição do partido de Hitler... tudo pode dizer, sem a menor vergonha, o politicamente correcto! O que se compreende. Na verdade, hoje em dia, toda a gente dá opinião sobre o que não sabe, nem tenciona vir a conhecer.

No rescaldo do congresso da Nova Democracia

Aguardo com interesse o que os bloggers da ND (hoje entraram alguns deles aqui para a coluna dos links...) vão dizer ao país blogosférico sobre o ajuntamento de 250 pessoas - não se percebeu ainda se militantes ou outra coisa qualquer - a que se convencionou chamar congresso e que se encontraram a norte para consagrar o Dr. Manuel Monteiro e a cantante Dina. Digno de registo, para já, apenas o artigo do inevitável Prof. Adelino Maltez no Diário Digital, texto aliás aplicável a variadíssimas outras realidades políticas que estão para além da ND. Enquanto aguardo pelas reacções, faço minhas as palavras do Homem a Dias.

Segunda-feira, Novembro 10, 2003

Profissão de Fé

Nas estantes dedicadas à história das publicações nacionalistas portuguesas, a cujo estudo ainda ninguém lamentavelmente se dedicou - mais uma vez o lembro - mas que sempre se vai fazendo um pouco pela blogosfera, encontro o primeiro exemplar da revista Ultra, Edições do Reyno, datada de 1983. Nela se encontra um "Retrato de Grupo com Bandeira", exemplo vivo de convicções inabaláveis. É um texto comprido para o que se convenciona editar num blogue, pelo que vos deixo apenas uma primeira parte, aproveitando a embalagem para dedicar a longa citação, de permanente actualidade, ao Josephuscarolus.


Naquele ponto da viagem em que não é mais possível alimentar consoladoras ilusões, sentimos muitas vezes a tentação do eremita: ficar sós, completamente sós, e em solidão guardar inteira fidelidade ao que somos, sem transigências nem concessões. É um caminho, e caminho válido para quem não ignora que a existência terrena significa para os homens a salvação ou a perdição.
Mas não é saída praticável para homens demasiado fracos para abater o orgulho. Não é possível ser monge quando da rua sobe tanto barulho. Nem é possível a solidão quando a terra e o sangue nos grita que a guerra ainda não acabou. Que a hora é de guerreiros.
Por isso a escolha é sempre a inversa: ficar aqui, onde o sol aquece e as caras se descobrem, orgulhosos e firmes, insolentes e altivos, como uma praga sobre a estupidez, a cobardia, a traição, a acomodação resignada. Em desafio ao que aí está a apodrecer a harmonia da vida, ficamos sempre, com a alegria todos os dias renovada na glória de sermos diferentes, com a certeza mil vezes repetida de que a nossa honra é a nossa fidelidade.
E nada mais conta: dos golpes recebidos, das feridas cicatrizadas, guardamos a certeza de que .o que não nos mata torna-nos mais fortes.. Frágeis e humanos ainda, sabemo-nos em trânsito para algo mais alto. E ficamos, como o Sol que todos os dias se ergue de onde afinal nunca saiu, depois de todas as vésperas o verem cair.
A nossa voz soa como castanholas na igreja em tarde de sexta-feira Santa. Senhores de austera compustura indignam-se, estendem-nos o dedo acusador. As boas consciências agitam-se. Os incondicionais do antes-assim-que-pior entram em pânico. Intelectuais ateus fazem cruzes e pedem água benta, meninas casadoiras dão gritinhos histéricos, pacifistas têm ataques de raiva, jovenzinhos amestrados fazem queixas aos donos, políticos disfarçam e fingem que não é com eles, e todos à uma nos voltam as costas com exclamações de pudor ofendido.
O grosso da coluna, as massas, o povo soberano, não dá por nada e continua a dormir, indiferente.
Sorrimos, e passamos adiante. A glória da praça pública nunca nos seduziu; aplausos, nunca os procurámos; elogios e comendas repugnam-nos por demais. A multidão, de todo a desprezamos: é uma mulher que se entrega sempre aos vencedores. Somos assim, identificados completamente com o nosso próprio caminho, mesmo quando não seja possível vislumbrar-lhe um luminoso final. A verdade não tem pressa, mas nem por isso abandona a sua marcha firme e segura
.

Ter razão antes do tempo

Outro título para este lembrete para memória futura poderia ser "toca a todos"... Vejo que Ivan Nunes - com quem partilho, pelo menos, uma amiga comum apesar dele não saber - e os rapazes de Benfica da secção portuguesa da internacional socialista estão furibundos com Maria José Oliveira, que de facto, como eles bem dizem, escreve opinião nas páginas de notícias do Público. Eu já aqui tinha, há tempos, falado nisso. E penso estar em condições de poder garantir que não foi erro de paginação. Aquele jornalismo é mesmo assim, como o 'costume': uma prática reiterada com convicção de obrigatoriedade.

Domingo, Novembro 09, 2003

Novidade mundial

Há poucos dias prometi anunciar aqui uma novidade com impacto à escala planetária, a propósito de um texto evocativo do desaparecimento de Vizcaíno Casas em que se falava no SEU. Já dois leitores me pediram contas da promessa. Não está esquecida. Mas, atentos ao valor da "caixa", estamos, ao contrário da imprensa de referência, a cruzar informações, a avaliar veracidades e a ouvir os interessados. Mas está difícil, por estes dias, ouvir a Letizia...

Sábado, Novembro 08, 2003

Braz Burity

Apenas agora verifico que nos agradecimentos feitos por João Pereira Coutinho a outros bloggers, refere Braz Burity, dirigindo-se em concreto ao Nova Frente, que havia recordado Homem Cristo. Não é a primeira vez que observo notas dispersas sobre Braz Burity, pseudónimo de Joaquim Madureira, violento panfletário oitocentista.
Ora sucede que duas dúvidas me assaltam quando vejo o seu nome. Desde logo, julgo-o nascido em Lisboa e confiro ter sido estudante em Coimbra. Não obstante, creio que todas as suas evocações remetem para Leça da Palmeira; é aliás em livros sobre Leça que se podem observar mais referências ao polemista. Alguém saberá a razão de tal facto (por lá se terá estabelecido.), podendo disso dar conta a este humilde e curioso ignorante?
Em segundo lugar, pergunta que creio ser ainda de mais complexa resposta, alguém me dirá, se o souber, onde poderão ser consultados e lidos três dos seus panfletos mais conhecidos e apreciados (e odiados, em especial pelos destinatários das missivas), a saber: A Gandaia; Insolências e o à época apreendido Um Processo de Imprensa? Muito agradecido.

Sexta-feira, Novembro 07, 2003

Imprensa de referência

Que o Público é uma referência já todos sabemos. Ainda assim, consegue sempre surpreender por baixo. Eu, que leio aquilo sempre na net e à borlex, por me recusar a gastar um tostão que seja que alimente aquela camarilha, vejo hoje com um dia de atraso um artigo de opinião (?) escrito por um tal Luís Costa, supostamente versando a Nova Democracia, agremiação política que, ao que parece, se encontra este fim de semana em congresso. Ora, sucede que o notável e prolixo articulista aproveita a tal agremiação para cascar forte e feio no Prof. José Adelino Maltez, dirigente da ND e um dos académicos portugueses que efectivamente se podem gabar de o ser, de facto, que não "honoris causa", e isto independentemente de com ele estarmos ou não de acordo. O Prof. Adelino Maltez tem obra produzida e mais outra tanta cuja produção lhe dificultam.
O citado textículo do Público remata com parte de um poema do Prof. José Adelino Maltez, muito devidamente cortado pelo jornaleiro em causa. Aqui vos deixo então o poema completo - "Portugal Que Partiu":

Portugal que partiu
já não pode regressar.
Quem foi além de si mesmo
nunca mais pode voltar.
Pátria antiga, permanecente,
desde sempre prometida.
Irmã de todas as pátrias
que hão-de ser o poder ser.
Não há mundo que nos chegue
nem índia que tenha sítio
na nossa esfera armilar.
Portugal sempre foi
mais do que o seu próprio lugar.

Católico e de Direita

No último número da excelente revista Arbil encontro um texto interessantíssimo escrito por Miguel Ángel Loma. Chama-se Sin miedo a la muerte. Vai em espanhol, o que se imagina frequente neste mês de Novembro. Interpretem como quiserem.

Venticinco años de un Maestro y un modelo. Una bofetada a los pseudovalores de esta sociedad, que relega a los ancianos y enfermos

Ni la guerra ni la paz, ni el viento ni la lluvia, ni el frío ni el calor. Ni los muros que separan a los hombres ni la distancia ni las fronteras, ni los idiomas ni las costumbres. Ni los atentados ni la enfermedad, ni el plomo de las balas, ni el de la crítica que le disparan desde poderosas atalayas. Ni las falsas luminarias científicas de un errático progreso que está convirtiendo al ser humano en una sofisticada rata de laboratorio. Ni el abrazo de los políticos que le sonríen en su cara y le ignoran a sus espaldas. Ni las olas que levantan los medios de comunicación ante los escándalos y traiciones de algunos de sus hermanos. Ni la inquina de las supuestas vanguardias intelectuales que reeditan los viejos errores del pasado creyendo que descubren nuevos Mediterráneos. Ni el silencio ni el ruido que provocan las contestaciones a sus palabras, ni el canto de sirena de los poderosos que quisieran ganárselo para su causa. Ni el hedonismo ni la carne, ni el dinero ni el poder. Ni los arrecifes de la incomprensión, ni las intrigas palaciegas, ni el humo de satanás. Ni siquiera la prudente palabra de los médicos y el dolor de sus hijos al ver su padecimiento en cada gesto...

Nada, nadie. Nada ni nadie han logrado doblegar a ese anciano que se mantiene al timón de una barca que hace un cuarto de siglo le confiaron dirigir.

Asumió el compromiso de conducirla hasta el final, hasta el último hálito de su vida, y es fiel a su palabra, por mucho que le pese al corifeo de quienes revestidos de una falsa piedad quisieran verlo abdicando de su puesto.

Pero él, doliente y tembloroso por el peso de los años y la enfermedad, se mantiene erguido al frente de la nave.

A veces busca compañía entre los más jóvenes, porque sabe que ellos aún tienen un corazón generoso y no se escandalizan ante la cruz. Les ha ido convocando por todos los rincones de la tierra y siempre respondieron a su llamada. Acuden para algo más que ver a un anciano que se muere poco a poco tras cada encuentro, y este trasiego de juventud que viaja de una punta a otra del planeta para estar unas horas con un viejo de apariencia derrotada, resulta incomprensible para el mundo.

Su imagen de enfermo, tembloroso y babeante, contrasta con la fortaleza de su fe y la vitalidad de su mensaje dos veces milenario pero siempre nuevo. Su firme actitud de mantenerse al mando de la nave resulta una provocación insoportable, una bofetada a los valores de esta sociedad, que relega a los ancianos y enfermos como él, al último rincón.

Hay veces, que en uno de esos actos agotadores que parecen interminables, se adormece...

Quizás piense en su infancia, en sus padres y amigos que ya marcharon, en algún recuerdo de su amada patria donde nació; en tantos compañeros de viaje que entregaron como él la vida al servicio del Amor.

Siente muy cerca la muerte y sabe que ya le queda muy poco tiempo...

Sabe que está finalizando su misión y que está emprendiendo el último viaje. Sabe que sólo la muerte podrá apartarlo de un timón que cada vez se parece más a una cruz.

Pero él no le teme a la muerte, como tampoco le temió a la vida.

Porque también sabe, con la certeza inexplicable que da la fe, que la muerte no es el último puerto, y que en la orilla le espera la mano que le tiende una Mujer sonriente, a la que consagró su servicio y su navío.

Y esa mano le conducirá junto a su Hijo a un lugar donde ya no hay dolor ni cansancio ni fatiga...

Quinta-feira, Novembro 06, 2003

Nova Monarquia

Entretido que aqui andei a lembrar a RUA - o único jornal da direita que não é do centro - e o desaparecimento do seu director Manuel Maria Múrias, passou-me que no passado dia 5 de Outubro se cumpriram 20 anos sobre a fundação da Nova Monarquia (NM), de cuja Junta Directiva cheguei a - orgulhosamente - fazer parte.
E é este um lapso imperdoável para quem, como eu e alguns outros, deram o melhor de si, diariamente e durante alguns anos no dito movimento, em defesa de Deus, da Pátria e do Rei, de Portugal e dos portugueses. Guardo desses tempos da Nova, como carinhosamente chamávamos ao movimento, inúmeras recordações. Ao tempo em que me inscrevi, a NM tinha sede num 4º andar do nº 12 da Rua Braancamp e era sobretudo um sonho do Miguel e do Nuno, que haviam sido expulsos do PPM, certamente por não seguirem a cartilha anti-monárquica que por lá se apregoava. "Tinha sede" é como quem diz, dado que as reuniões - quase diárias - se realizavam em casa dos irmãos Castelo Branco, ali ao Campo Grande, no meio de um cão - o Rex - e de perto de duas dezenas de gatos.
Acompanhei o crescimento da NM, especialmente do seu sector juvenil na zona da Grande Lisboa, antes da consagração nas legislativas de 1987, em que, não fossem os rapazes da NM e não teria havido um único cartaz colado na campanha eleitoral do Prof. Adriano Moreira. Havia, na altura, uma efectiva capacidade de mobilização que nos chegava mesmo a impressionar a nós próprios. Encheram-se salas em Actos de Afirmação Nacional que se anunciavam em colagens massivas de cartazes onde se lia "Portugal Convoca", percorria-se o país com algum sucesso, pintavam-se os melhores murais de direita de que há memória, em sessões nocturnas umas quantas vezes terminadas na esquadra mais próxima, aprendia-se política: teoria e prática. Recordo-me especialmente de uma campanha de colagens de cartazes defendendo o povo de Timor, acompanhando aliás uma outra campanha lançada pelo Senhor D. Duarte intitulada "Timor: Vamos Ajudar!". Não valerá a pena dizer que os compatriotas que mais tarde enchiam ruas e avenidas em defesa de Xanana y sus muchachos, na altura, nos insultavam com todo o tipo de vitupérios "anti-fascistas". Coerências das massas...
Na NM encontrei ainda - o que não tem preço - a minha mulher e alguns dos meus grandes amigos que de outra forma, provavelmente, nunca teria conhecido.
Aqui há tempos, o Miguel Castelo Branco publicou no Unica Semper Avis o seu testemunho sobre a experiência da Nova Monarquia. Está - infelizmente - incompleto, mas vale a pena ler e guardar. Além de que, numa perspectiva mais narcisista, narram aquelas linhas uma boa parte da minha vida.

Quarta-feira, Novembro 05, 2003

Deu entrada na linha número 1

O novo e ilustríssimo Provedor dos Leitores da Nova Frente, Chico Canhestro, e que logo de entrada me aplica substancial correctivo. Seja bem aparecido por estas bandas!

Aos visitantes chegados do Bloguítica

Lamento informar os que vão chegando ao engano, mas nesta casa não se contam quaisquer estórias de cariz racista, (conforme se pode constatar nos arquivos, à direita) estórias que considero aliás intragáveis. De resto, quero deixar duas pequeníssimas notas, ambas por constatar que Paulo Gorjão, do Bloguitica, está em grande. Em primeiro lugar, a avaliar pelo número de transeuntes que aqui chegaram hoje vindos do seu blogue, os seus textos estão a ter impacto real. Em segundo lugar, Paulo Gorjão está em grande dado que não estava de viagem na tal composição ferroviária invadida por duzentos meliantes. Houvesse por aí estado e não diria agora que a invasão de um comboio por duzentos assaltantes (200!), tipo "arrastão nas praias do Rio de Janeiro" é um distúrbio de gravidade relativa (SIC)!

Importamos criminalidade

Duzentos (200!) meliantes neste pequeno e pacífico país à beira-mar plantado, tomaram de assalto uma composição ferroviária que fazia a linha de Sintra na noite de Domingo para Segunda, antes de agredirem a polícia e se refugiarem na zona da Cova da Moura. Duzentos, não é brincadeira nenhuma. Já na véspera, dois autocarros da Carris tinham sido alvo de idêntica actuação, com cidadãos honrados a serem alvo de assalto, primeiro, e apedrejamento, depois. A este respeito, façam o favor de seguir por aqui.
Não metam mão nesta pouca vergonha que não vale a pena. E depois, em eleições, queixem-se do resultado. Em França começou assim...

Ainda Vizcaíno Casas

Palpita-me que neste mês de Novembro darei alguma atenção aos caídos da vizinhança. Como última homenagem a Fernando Vizcaíno Casas, aqui vos deixo uma das últimas entrevistas com o autor, concedida à jovem jornalista Mª del Pilar Amparo Pérez García (Pituca) e publicada no "La Nación", sem que eu saiba precisar a data de publicação. Aqui fica Vizcaíno Casas, também na primeira pessoa:

A Fernando Vizcaíno Casas lo conocia a través de correspondencia, ya que desde un principio le enviaba todos los artículos y cuentos que me publicaban. Lo conocí personalmente en la Feria del Libro y así comenzó nuestra relación personal. Este año me dijo que fuese a verle a su despacho para charlar. Esto me dio la idea de entrevistarle, a lo que él accedió encantado con su simpatía de siempre.
Lo primero que hizo fue recordar su paso por "El Alcázar" y su relación con Félix Martialay y otros colaboradores de "La Nación", con mucho cariño.
Su despacho es muy alegre y espacioso, y lo primero que me gustó fue ver que lo preside una bandera española con el Águila de San Juan. También me llamó la atención un retrato muy bonito de su padre al lado de la bandera.

PITUCA: El año que viene se cumple el Centenario de José Antonio y he visto que es Vd. miembro de la Plataforma 2003.¿Qué opinión le merece José Antonio?.
VIZCAÍNO: José Antonio, y lo he dicho reiteradamente, me parece el personaje político más fascinante del pasado siglo. Murió demasiado pronto para poder haber desarrollado íntegramente su ideario, pero la evolución del mismo en los 3 únicos años en que anduvo en la vida pública demuestra su capacidad de asimilación a las necesidades de cada momento, sobre todo su profunda visión de una España armónica.

P:¿Cree que las ideas de José Antonio son actuales?
V:Las ideas en política duran muy poco, aunque sustancialmente sigan vigentes en lo fundamental. Obviamente la idea política de José Antonio hay que situarla en su época y por ello muchas de sus afirmaciones, hoy no tendrían aplicación, pero básicamente el ideario continua siendo absolutamente vigente.

P:¿Por qué cree Vd. que se manipulan y ocultan las ideas de José Antonio a la juventud actual?
V:No solo se manipulan y ocultan las ideas de José Antonio, perfectamente desconocido por la juventud actual, sino que se manipulan, se tergiversan y se falsean todas las ideas e incluso los hechos históricos de nuestro reciente pasado.

P:¿Qué opinión le merece Francisco Franco?
V:Mi opinión sobre Francisco Franco la tengo sobradamente expuesta en los libros, artículos y conferencias. Fue un estadista de excepción y precisamente cuantos ahora pretenden minimizar su actividad no hacen más que ensalzarla, puesto que si era tan torpe, ínculto y necio como pretenden, lo serían muchísimo más quienes no fueron capaces de deponerle.

P:¿A qué cree que se puede deber que muchos de los que colaboraron con su Régimen y tuvieron cargos muy importantes, sean los primeros que hoy día reniegan de él y le tergiversan?

V:Los chaqueteros son una fauna histórica que desde siempre ha existido, aquí y en todas las naciones y en todos los tiempos. Ya don Benito Pérz Galdós, en uno de sus Episodios Nacionales dibuja un personaje, Piapón, que muchos han encontrado en similitud con el protagonista de mi novela "De Camisa Vieja a chaqueta nueva". La ingratitud, el rencor y el miedo son características de quienes cambian de chaqueta sin recordar su pasado y, por supuesto, demostrando su total indignidad.

P:¿Qué le parece la interpretación de la Historia que hacen Tusell, Preston, Ansón, etc. y a qué cree que es debido?
V:Del sr. Tusell y del sr. Preston tengo mucho escrito en mis últimos libros. Son falsarios de la Historia, mentirosos, analfabetos y canallas. No solo yo, otros muchos autores como Ricardo de la Cierva y José Mª García Escudero (q.e.p.d.) les han refutado sus mentiras, pero ellos continúan "erre que erre" chupando el bote y engañando a la juventud.

P:¿Qué le parece la educación actual en la cual no hay Religión y nos falsifican la Historia de España?
V:Sobre la educación actual se ha escrito tanto que no constituye novedad decir que es un puro desastre, tanto en los aspectos académicos o humanísticos, como en los religiosos y patrióticos. Mientras no se reforme a fondo esa educación y, sobre todo, mientras en el País Vasco no se suprima la versión torticera de la Historia de España que se enseña allí a los jóvenes, este país, antes llamado España, no podrá salir en serio hacia delante.

P:¿Qué le ha parecido todo el tema sobre la isla Perejil?
V:Creo que el sainete de la isla Perejil ha sido muy conveniente porque ha demostrado que todavía, cuando se afecta a los intereses fundamentales de España, se crea un estado de opinión absolutamente patriótico, ya que todos hemos seguido, primero con expectación y luego con satisfacción, la feliz actuación tanto de nuestro gobierno, en este caso, como de las Fuerzas Armadas, en lo que ha constituido una intolerable afronta del homosexual rey de Marruecos.

P:Vd. que ha conocido a tantos personajes importantes, ¿Cuál es el que más le ha impresionado?
V:Tengo dicho muchas veces que hay dos personajes importantes que en mi vida me han impresionado mucho: Su Santidad el Papa Pío XII y el Caudillo Franco, a quienes tuve la dicha de conocer, y cuya profunda mirada siempre recordaré mientras viva.

P:¿Tiene alguna anécdota interesante?
V:Tengo unas tantas anécdotas que ya no sé cual contar y en vista de lo cual, mejor será no contar ninguna.

P:Siempre se está criticando la censura del Régimen de Franco ¿Cree Vd. que ahora no hay censura?

V:Hoy existe una censura tan dura o más que la del franquismo, que por supuesto fue estúpida. Esa censura por omisión, que yo recientemente he denunciado en un artículo en el diario "La Razón", consiste en marginar, olvidar y, como dicen en México, ningunear a cuantos estamos fuera de la órbita oficial, los que somos llamados "políticamente incorrectos". Esta censura hace que se nos veten emisoras, televisiones y periódicos, y hace ya muchos años que la denunció la magnífica escritora catalana Mercedes Salisachs.

P:Los jóvenes de hoy en día estamos desinformados, ¿Qué haría Vd. en nuestro lugar?
V:Yo lo que haría en vuestro lugar sería procurar informarme buscando, en lo posible libros y los poquísimos periódicos, entre ellos "La Nación", donde se cuenta la verdad de nuestra Historia. Pero comprendo que es muy difícil que la juventud actual esté informada, cuando los grandes medios, teóricamente informativos, de lo que se habla fundamentalmente es de con quién se acuesta Ana Obregón o del dinero que ganan las señoritas de "Operación Triunfo".

Fue un rato muy agradable. Fernado Vizcaíno Casas me demostró que es una gran persona en todos los aspectos. Tengo que decir que me ayudó en todo momento durante la entrevista. Personas así, sinceras y consecuentes, son las que cambiarían a mi generación. Estoy muy contenta de poder considerarme amiga y camarada suya.
Al despedirnos, reiteró sus saludos para Félix Martialay y demás colaboradores de los que guarda un gratísimo recuerdo de su época de "El Alcazár".

Diz o "Diabo" desta semana

Que não se confirma:

- que os ataques desferidos contra o procurador João Guerra têm sido em boa parte instigados pelo lóbi judaico;
- que o juíz Carlos Almeida, autor do acórdão da Relação que libertou Paulo Pedroso, seja integrante da maçonaria;
- que o autor (incógnito) de "O meu Pipi" seja o bispo Januário Ferreira, como (certamente por vingança) chegou a correr nalguns quartéis;
- que o IPPAR tenha em vista alugar o Panteão Nacional para a próxima passagem de modelos de Fátima Lopes
.

Terça-feira, Novembro 04, 2003

Leituras (III)

Curiosamente, apenas há poucos dias li a tardiamente comprada obra "Viriato - A Luta pela Liberdade", trabalho de investigação do Prof. Mauricio Pastor Muñoz, que já vai - inexplicavelmente, digo eu... - na terceira edição, para natural alegria dos editores e surpresa dos mais interessados. O livro vale a pena - são, aliás, por regra, muito interessantes as edições da Ésquilo - apesar de uma mais que deficiente revisão da tradução, que deixa passar em claro erros de se lhe tirar o chapéu. Páginas há que são de meter medo ao susto!
Mas vem isto a propósito de que o autor, na área dedicada à bibliografia e certamente por desconhecimento, omite o trabalho de Luiz Chaves, focado no lembrete anterior. O que é pena. Estou capaz de lhe mandar uma cópia...

Leituras (II)

Dado que já possuo a anteriormente citada obra de Vizcaíno Casas, guardo os meus míseros euros para outras linhas igualmente incorrectas. E eis que ali em plena montra, a olharem para mim e eu para eles, estavam os quatro primeiros números de "Portugalia - revista de cultura, tradição e renovação nacional", dirigida nos idos de 1925 por Fidelino de Figueiredo e propriedade do Conselho Director Central das Juventudes Monarchicas e Conservadoras... Um pouco a medo, que já tenho tido experiências assustadoras por estes locais alfacinhas, pergunto o preço:
- Vinte e cinco euros, diz-me o amável vendedor.
- Por exemplar? - pergunto...
- Não, os quatro tomos... - remata.
Pois bem... feito o esforço, já cá moram. Publicam interessantíssimos textos versando a actualidade de então, nacional e internacional. Destaca-se um estudo que desconhecia por completo, da autoria de Luiz Chaves, intitulado "Viriato, o heroe da Lusitania", cujo final está marcado para o quinto volume, que lamentavelmente não possuo. Se vossas senhorias me quiserem facultar o exemplar em questão, ainda que em fotocópias, muito vos agradeço a gentileza.

Leituras (I)

Andava eu este fim de tarde em animado passeio pelo Chiado e o Bairro Alto quando decidiu o destino conduzir-me - como habitualmente - à livraria alfarrabista Barateira, ali a meio passo da Cervejaria Trindade. Nem de propósito, constato que nas estantes dedicadas à política - no segundo e último salão, do lado esquerdo - existem dois exemplares, em mais que razoável estado de conservação, do ontem falado "O Vira-Casacas", de Fernando Vizcaíno Casas, na edição portuguesa da Editorial Intervenção, capa vermelha com desagradável simbologia representativa dos principais partidos portugueses. Custam ambos os tesouros a ridícula quantia de três euros - seiscentos palhaços mais pau, menos pau - pelo que se recomenda que tomem os meus leitores mais desconhecedores da obra do já saudoso Vizcaíno Casas o primeiro eléctrico para o Chiado. Rapidamente e em força!

Segunda-feira, Novembro 03, 2003

Vizcaíno Casas

Quando pensava que seria eu o primeiro a evocar Fernando Vizcaíno Casas por ocasião da sua morte hoje ocorrida em Madrid, aos 77 anos, reparo que já o Manuel Azinhal se me antecipou. E fê-lo com a categoria que se lhe (re)conhece. Mas nem por isso poderia eu deixar de recordar neste espaço um dos casos mais fantásticos das letras espanholas contemporâneas. Desde logo para informar os meus fregueses de que Vizcaíno Casas viu pelo menos quatro dos seus livros de maior sucesso editados em Portugal, todos eles com a chancela da desaparecida Editorial Intervenção: "Meninas à Sala", "E ao Terceiro ano ressuscitou!", "O Vira-Casacas" e "O Casamento do Padre-Cura". Penso que são, como se compreenderá, difíceis de localizar nos tempos que correm, ao contrário das suas obras na língua original, a maior parte dos quais podem ser adquiridos em qualquer livraria espanhola, e também online, por exemplo, na excelente Casa del Libro.
Esclarecido este ponto, importa dizer que Fernando Vizcaíno Casas nunca renegou o seu passado e as convicções joseantonianas e de católico exemplar na antes llamada España, como gostava de dizer aos seus amigos e camaradas; e, ainda assim, o seu inegável talento e humor (que na época da transição muitos fizeram por tentar calar) nunca o impediram de ter sucesso. Estamos a falar de sucesso a sério: são mais de quatro milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, o que ainda assim não impede as nossas doutas e clarividentes editoras de não manifestar interesse na sua reedição. Coisas facilmente compreendidas no nosso pujante mercado editorial.
Vizcaíno Casas iniciou-se na escrita a fazer crítica de cinema na então revista oficial do SEU - Sindicato Español Universitario (a propósito do SEU, este reduto ameaça nos próximos dias lançar uma novidade com impacto mundial, mantenham-se atentos...), que se chamava "Acción", iniciando a partir daí uma notável carreira de escritor em que raro foi o ano em que não recebia um prémio, incluíndo o período pós-franquista. Foi em 2001 que recebeu a última comenda: "Medalla de Oro al Mérito en el Trabajo".
O escritor não só não era politicamente correcto, como não era cómodo para o sistema. Quando na Feira do Livro de Madrid, ano após ano, era ele quem mais vendia, nunca o seu nome aparecia na imprensa castelhana de referência bem como nos próprios catálogos da feira, por força da influência dos democráticos mais sensíveis à inveja.
De Espanha dão-me conta de que a sua intervenção cívica persistiu até aos seus últimos dias, onde estava aliás a braços com uma série de chatices judiciais que lhe haviam sido movidas por ter classificado as encenações callejeras do "Orgulho Gay" lá do sítio como um "carnaval mariquita", isto enquanto membro do Conselho de Cultura da Comunidade Valenciana, sua terra natal, posto que a comunada lá da terra tudo fez para lhe retirar.
Já em 2003, ano do centenário do nascimento de José António Primo de Rivera - em boa hora, e mais uma vez, recordado aqui há dias pelo Manuel Azinhal - Vizcaíno Casas escreveu um notável artigo sobre a mística joseantoniana e as olvidadas celebrações, avisando logo de entrada os que pudessem não apreciar a prosa: Y si a alguno o a muchos les parece mal, me importa un rábano.
Já bastante doente e em luta acesa contra um cancro que tardou em derrotá-lo, continuou a escrever, anunciando neste domingo um dos seus filhos o lançamento para breve do seu último trabalho: "Nietos de Papá", escrito a par e passo com a doença.
Como bem diz o Sexo dos Anjos, o Céu ficou a ganhar. Ou, como rematava a mensagem em que me era dada conta de que Vizcaíno Casas nos tinha deixado:


Se nos ha ido a su Lucero un español íntegro, valiente y, además, simpático. Hoy están de fiesta en el Cielo. En la Tierra rezaremos porque nos eche una mano desde allí.
Gritemos como le hubiera gustado a él: Fernando Vizcaíno Casas: ¡¡Presente!!.

Domingo, Novembro 02, 2003

Tanta poesia tão pouco vendida (II)

É também possível tentar dar resposta ao problema levantado, lendo e interpretando um pequeno e excelente texto colectivo em boa hora editado pela Nova Arrancada, e a que se chamou "Linhas de Fogo - Manifesto de Cultura Lusíada para o Terceiro Milénio". São responsáveis por tão acertado conjunto de ideias, desabafos e propósitos, os portuguesíssimos Bruno Oliveira Santos, Francisco Cabral de Moncada, João Marchante, Manuel Brás e Miguel Castelo Branco.
É comprar, meus senhores, é comprar antes que esgote!

Tanta poesia tão pouco vendida (I)

Paulo Gorjão, no seu Bloguitica, apresenta uma dúvida existencial; ora diz ele: Com tanta poesia publicada na blogosfera, porque sera' que se editam e compram tao poucos livros de poesia em Portugal?
Permito-me pegar na poesia do magistral António Manuel Couto Viana para ensaiar uma resposta...

Versos antigos, de antigos poetas,
Tão esquecidos, fora de moda.
Ao lê-los, leio, numa outra era,
Meus próprios versos. E a alma chora.

Bem pouco entendo, dos novos cantos,
O que me dizem, o que sugerem,
Que fim apontam, com que diálogo
Falam da vida como a interpretam.

Só vejo imagens, oiço palavras
Belas, sim, belas, mas sem sentido.
E desce a sombra e os sons apagam-se
Sobre os meus olhos, nos meus ouvidos.

É de leitores que são avaros
Estes poetas do meu presente?
Tanta poesia só para raros!
(Ou sou o raro que não a sente?)

Bardo

De Paulo Borges, dedicado a Fernando Pessoa, Bardo do Império:

Screveste teu livro à beira-mágoa
por não ser tua a Hora que anunciaste.
Tiveste teus olhos quentes de água
por em ti não chegar Quem esperaste.

Que houveste tu,
da névoa e da saudade,
senão a mui grã coita
em que por vida andaste,
e a alterosa dor,
em ti sofrida,
da Pátria e do Povo
que cantaste?

Repousa amigo,
que mais que o incerto sopro
foste o divino anseio
humano feito,
e,
por haveres desejado e não tido,
deste ao tempo a Hora
em que por tua obra
se conheça o Eleito.

Acredite se ler no Expresso

A Única, uma revista que acompanha todas as semanas o inqualificável Expresso, constitui imperdível fonte de conhecimento. Esta semana diz-nos por exemplo que o líder estudantil da Universidade da Beira Interior - um qualquer barnabé - se apresenta às televisões e demais comunicação social ostentando inevitavelmente o seu traje académico, ao mesmo tempo que a sua boca vai proferindo os maiores vitupérios contra a tradição académica e a praxe. É um case-study de "olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço".
Na mesma revista, umas quantas páginas depois, é dito que a moda dos táxis pretos e verdes - como bem manda a tradição - ameaça regressar em força. E é dada a palavra a Jorge Pedro, um clarividente taxista de 35 anos (uma das categorias profissionais com que francamente simpatizo e à qual recorro com enorme frequência) que afirma categoricamente: escolhi o preto e verde porque sou português e acho que nos vão tirando cada vez mais bocadinhos da nossa identidade. Não: não se confirma que Jorge Pedro seja o presidente da ANTN - Associação Nacional dos Taxistas Nacionalistas. Mas que está coberto de razão, lá isso está.

Sábado, Novembro 01, 2003

Carta a Camões a avisá-lo

Durante este passado mês de Outubro, fiz por recordar neste espaço esse exemplo recente de portugalidade que foi Manuel Maria Múrias. No mesmo período, algum debate público andou em volta dos novos manuais escolares de língua portuguesa, por estes dias mais voltados para as banalidades mundanas do que, com total conivência governamental, para o correcto ensino da língua. Nem de propósito, e com notável presciência, Rodrigo Emílio escreveu no já passado período revolucionário que estava em curso, uma Carta a Camões, a avisá-Lo, que posso agora utilizar com apreciável actualidade, e cuja dedicatória então se dirigia ao saudoso Manuel Maria Múrias, exemplo galvanizador de tenacidade e de talento:

Já quase lusíadas não há,
meu bom Luís de Camões...
(- Tu sabes lá! Sabes lá,
quantas traições...)

É póstumo pasto d'infiéis
e filisteus, de fariseus
e vendilhões
o que em tempos foi pátria d'altos reis,
lugar de Deus!,

meu bom Camões...

Mas não armes desacato.
(Pois seria uma loucura
tentares todo e qualquer acto
de bravura,
com mais ou menos aparato
e envergadura.
Isso não é prato

para esta altura...)

Limita-te, de facto,
a fazer boa figura
num retrato
com moldura.
E deixa-te estar muito a recato
na sepultura
- não vão eles passar-te por aí algum mandato
de captura...

E se eu te dou esta norma,
sei a razão que me invade!
(Olha que a morte ainda é a melhor forma
de passar à clandestinidade).

Têm-te cá uma destas raivas
que não te podem ver, nem pintado!
- Talvez tu ainda não saibas
que estás para ser saneado,

em vista
d'haver quem se compenetre
de que não passas de um fascista
avant-la-lettre...

Sabes que mais? - Por intenção
de todos nós, lavra e decreta
luto pesado,
com a força que te dá a voz
a tua sempiterna palavra de poeta,
e essa dupla condição
de sábio e de soldado!...