Sábado, Dezembro 31, 2005

Ao cair do pano

Quando já só pensava passar por aqui para vos desejar a todos boas entradas, eis que me vejo forçado, e muito bem, a deixar nota de mais dois agradecimentos. Desde logo ao Golfinho que, com tanta simpatia como exagero, entendeu que este postal com dez razões para dizer 'Não' à Constituição Europeia foi o melhor do ano que agora termina, o que é tanto mais relevante quanto o Pacheco Pereira passou meio ano a escrever sobre o assunto. Mas se ele o diz, quem sou eu para o contrariar...? Num outro quadro, o AAA - em jeito de menção honrosa - não só confessa ler-me com gosto como me coloca em boa companhia, o que logicamente me agrada. Diz ele ainda que discordamos frequentemente, mas quanto ao postal em causa não é o caso: também "sou pouco progressista em questões de género" e, não bastando, acho muito bem o destaque dado a Miss Pearls na categoria em questão. E agora sim, que entrem em 2006 com o pé direito. Até para o ano.

2005

Aspectos positivos: visitei a Grécia de barco; segui o roteiro do Bruno em Málaga; o trabalho podia ter sido menor; ainda fumo, apesar da cruzada anti-tabaco. Aspectos negativos: não me chegava o blogger inteiro...

Optimismo

Não é matematicamente possível 2006 ser pior que 2005 - este annus horribilis...

Da defesa de Gotovina

Não sem um sorriso nos lábios, verifico que à equipa de defesa do general Ante Gotovina no TPI (liderada pelo croata Luka Misetic), se juntou o norte-americano Greg Kehoe que, curiosamente, tinha desempenhado funções de procurador junto do dito tribunal. A defesa, que beneficia (e bem) do apoio do governo croata, tem assim um reforço de inverno de peso - qual Ivanildo ao serviço da armada de Belém...
Para abertura das hostilidades, o ex-procurador (especialista em assuntos referentes ao desemembramento da Jugoslávia, tema sobre o qual foi instrutor de diversos processos) garantiu a possibilidade de "fazer prova de que Gotovina está inocente". Concordo com o cavalheiro, deduzindo então que a razão me assiste desde sempre.

2005 - os blogues

Admito estar errado, mas tenho como adquirido que o ano que agora finda marcou um aumento da visibilidade dos blogues na formação da opinião que se publica, que - para mal dos nossos pecados - ainda é a que conta. Menos mal, portanto, não obstante permanecer a renúncia do leitor Mendo Ramires em dar o corpo ao manifesto. Apesar disso - e da quebra de qualidade cá de casa, que me parece entrar pelos olhos de quem por cá passa - o curso das coisas não impediu que o ano blogosférico tenha vivido dois momentos especialmente desagradáveis: o Porta-Bandeira fechou a loja e o Balbino Caldeira (talvez, mas não apenas, em resultado da maior visibilidade que antes mencionei) malhou com os costados em tribunal. Este último, apesar do recurso pendente, foi absolvido. Já o nosso Viriato só o será quando regressar à navegação.
Quanto ao mais, e como deve ser, os mestres permanecem no seu posto, num ano igualmente marcado pelo saudável - digo eu - regresso do Rui à categoria de solista. Para mais, verifico com agrado que se nos juntaram dois blogadores de excepção, sem contar com este lampião. Podiam ser quatro, na verdade, mas o certo é que o engenheiro, para meu gosto, é pouco assíduo ao teclado; espero que inverta a tendência ao longo do ano que está para entrar. Por fim, sempre adianto que não parabenizo aqueles outros de que gosto e que visito diariamente, posto que são bons de verdade e sabem quem são. De igual modo, não escolho o blogue do ano, na medida em que cometeria o pecado de ser demasiado injusto para tantos outros que de igual modo seriam merecedores do galardão. Para o início de 2006 fica uma promessa: vou dar uma vista de olhos à lista de links aqui à direita.

2005 - o óbvio

Vaticano
Anos há em que por esta altura não é fácil escolher a figura ou o acontecimento do ano. Mas de tão evidente e por maior que se afigure a imaginação da imprensa mundial, não é menifestamente o caso.

Quinta-feira, Dezembro 29, 2005

A contratação colectiva

Ao que nos conta a imprensa, o nosso excelente governo terá oferecido ontem aos sindicatos da função pública aumentos de 1,5%, abaixo dos valores estimados de inflação, o que resulta em mais um decréscimo do poder real de compra das pessoas concretas (que eu deixo isso dos "trabalhadores" para os comunas e para os liberais). Eis-me, portanto, no domínio da economia, matéria que faço por não abordar e cuja teoria persisto em desconhecer, ao invés da prática - que topo com a dita de ginjeira.
Na verdade, entendeu o destino que este que se assina Pedro Guedes tenha tido como primeiro emprego um posto de assalariado numa associação patronal, dessas que assinam acordos colectivos de trabalho publicados em BTE's e tudo. Como o escriba não era completamente burro e sabia, vagamente, assinar o nome - para sua desgraça (minha) - encomendou-lhe a páginas tantas o patronato dos patrões que fosse representar a dita federação de empresas por mais que uma vez em sede de negociação desses acordos, logo à direita de um afamado advogado alfacinha principescamente pago e especialista em vigarizar sindicalistas profissionais em três sessões... - guardo aliás para mim a vaga ideia de que o facto dos sindicalistas que se apresentam nestas coisas serem profissionais do sindicalismo só serve para lixar os 'trabalhadores', mas isso são outros quinhentos.
Reconheço que a coisa foi toda uma experiência, ao ponto de chegar a ter pena dos prestimosos rapazes que se sentavam à minha frente, em unidade hoteleira paga pela associação que eu fazia por representar - começa aí o primeiro enguiço da coisa, que nunca os gajos deveriam aceitar reunir em local pago pela outra parte, mas adiante. Numa das vezes, fez-se ouvir uma intervenção do camarada-sindicalista-chefe a exigir, em época de crise, um aumento na ordem dos 10% ou coisa que o valha, a que se somavam a introdução de subsídios que não eram até então aplicados ao sector - e que a mim, deve dizer-se, me pareciam da mais elementar justiça. Mas na verdade, pareceu-me sempre que os tipos não percebem que uma exigência deste calibre é quanto baste para que o "patronato" os mande dar uma volta ao bilhar grande, conseguindo de imediato, com alguma retórica, que todo o caderno reivindicativo entre no domínio do lunar - o que, como compreenderão, facilita as negociações para a parte contrária.
Certo dia - e como estivessem difíceis de atingir os propósitos dos sindicatos - observei uma negociação paralela: em sendo necessário concluir o que quer que fosse, entendeu um dos líderes sindicais que a coisa se fazia em obtendo a ilustríssima esposa do dito uma transferência - "que no Tagus Park dava mais jeito" ao casal, argumentava o sindicalista. Como não era por isso, lá se fez a transferência e de imediato se obteve a justíssima assinatura de duas das três partes envolvidas. É isto, meus caros amigos, a contratação colectiva - a célebre concertação social que tanto atrai o Prof. Cavaco. Já quanto a mim, dá-me a coisa vontade de rir em ouvindo-lhe o nome, apesar de entender o Nacional-Sindicalismo como uma das doutrinas mais interessantes que o mundo pariu até à data. Sucede que nesse caso, uma forma "horizontal" de sindicalismo colocaria patrões e subordinados a negociarem em torno de objectivos comuns e tendo como fim último o comum interesse nacional. No quadro actual, abre-se espaço à comédia. Em todo o caso, sempre vos digo que se pagam para o sindicato, metam a massa na CGTP. Os restantes, é só rir...

Postal pró-americano do dia

Lucky Strike

Quarta-feira, Dezembro 28, 2005

Da partidocracia

Francamente, não entendo o espanto. Alguém imaginava que todos estes processos eram completamente limpos? Que não falamos de terra minada? Que as Juntas (algumas, pelo menos...) cumprem escrupulosamente as suas obrigações legais?

República das Bananas

A vida está boa é para o Ministro da Economia.

Quando os sindicatos defendem os direitos dos 'trabalhadores'...

El último consejo de ministros del año ha traído varias sorpresas. Entre ellas cabe destacar el acuerdo histórico entre todos los sindicatos de izquierda y el PSOE, Izquierda Unida, Esquerra Republicana, el BNG y CHA para suprimir la paga del 18 de Julio.
Como se sabe la paga del 18 de Julio fué establecida en España por Franco para conmemorar el día del Alzamiento Nacional que acabó en la victoria de las tropas franquistas sobre las repúblicanas.
La Comisión Republicana de Rescate de la Memoria Histórica ha promovido el acuerdo entre los diversos partidos. La supresión tendrá carácter retroactivo, por lo que los trabajadores deberán devolver las pagas cobradas desde 1975 hasta la actualidad. A quienes se nieguen se les detraerá el importe de sus nóminas o pensiones por Hacienda.
Tras la desaparición de la paga de julio los trabajadores mantendrán la paga de Navidad, con lo que se pasará de cobrar dos pagas extraordinarias a una sola.
Ha quedado aplazada la decisión del cambio de nombre de la Seguridad Social, institución creada también por Franco, hasta el año que viene, aunque es seguro que el nuevo nombre buscará concitar la multiculturalidad y la alianza entre civilizaciones.

Segunda-feira, Dezembro 26, 2005

Quando a idade pede sopas e descanso...

Postal de leitura indispensável.

Dobrado em miúdos

Observando nos jornais a grelha televisiva deste último domingo, noto que se anunciava para depois do telejornal a "intervenção de Natal do primeiro ministro - legendada". Faz sentido. Está para nascer o primeiro tuga que entenda à primeira o que o cavalheiro quer dizer.

O prometido é devido

Massimo Morsello - Palestina

Em homenagem ao nosso amigo Buiça e passado o fim de semana natalício, eis que se actualiza a música ambiente cá do estabelecimento. Conforme prometido, terão os meus amigos a oportunidade (quase única!) de prestar atenção a estas linhas escutando "Palestina", de Massimo Morsello - que é voz muito cá de casa. Aliás, mais informo a freguesia que, nas próximas semanas, música de intervenção lá das Itálias é o que não faltará neste burgo. Para mais, atendendo a que vivemos ainda em quadra propensa a ofertas e que o italiano é idioma mais complexo do que parece à primeira vista, podeis acompanhar a melodia com a letra que aqui vos deixo:

Eravamo piu di venti
In venti uomini senza sonno
Ed ogni strada ci portava strada
Ogni mese ci durava un anno

Il nostro amore ci sembrava troppo
La nostra terra ci sembrava poca
Terra e sassi nelle nostre scarpe
La nostra rabbia diventava cieca

Con il mitra appeso alle spalle
La liberta’ sembra piu vicina
A cinquecento metri dalle stelle gia ci sembrava
Palestina
Palestina

Cicatrici di amori passati
Ci proibivano il sorriso
Sui nostri cuori consumati
Ogni ricordo ci lasciava un peso
Ed ogni notte passata a contare
Quanti passi dal confine
Ci invecchiava di quasi un anno
Avvicinandoci alla fine

Con sei figli incollati a una foto
La liberta’ sembra piu’ lontana
Qui il silenzio e spezzato da un fiato tra le montagne in
Palestina
Palestina

Una pattuglia di circoncisi
Aveva razzi e fucili alla moda
Che ci puntavano pericolosi
Scrivendo fine sulla nostra strada
Ed il sangue che mi usci’ dal collo
Non ho vissuto per poterlo vedere
Credo sia sciolto tra questa terra
Che ora nessuno mi puo’ rubare

Ma con un mitra che ti strappa la vita
La liberta’ sembra una bambina
Che la notte si addormenta impaurita al coprifuoco in
Palestina
Palestina

Sábado, Dezembro 24, 2005

2005 visto por Mingote

Mingote

Os que são mais cá de casa, recordarão por certo alguns cartoons de Mingote que aqui coloquei ao longo dos tempos. Pois bem, saibam que o genial cartoonista (do menos genial ABC) tem agora em linha - no seu jornal de eleição (e do coração) - uma revista do ano que está para findar, toda ela tendo como base os seus desenhos. Curiosamente, a selecção não contempla um dos bonecos que considero por entre os melhores dos melhores, exemplo perfeito do que dois ou três traços podem transmitir. Vivamente vos recomendo a exposição virtual.

Sexta-feira, Dezembro 23, 2005

Mais coisas no sapatinho

É o BOS a trazer a boa nova: o Clark está aí de novo (mais um lampião, safa...) e parece que já não vai a tempo de emigrar. Razão tinha eu que nunca o saneei aqui da coluna da direita...

A utilidade das presidenciais

Vou meter mil euros no Cavaco.

Mais um

"Mais um Natal... e um Natal a menos", do Rodrigo Emílio, poema assinado em Lisboa no Natal de 2000 com validade para O de 2001:

Não ter Natal tornou-se natural.
(- É como já não poder tocar piano.)

Passo o Natal, mais uma vez, a pano,
mas só Deus-Menino e soberano
sabe
a saudade
que me invade,
a cada Noite de Natividade...!

O único presente de Natal
que tive, este ano,
foi o acender das luzes na cidade...

Nocturno de Natal

Um poema de Rodrigo Emílio para o Natal de 1971:

Toda a infância, em horizonte
que defronte se levante.
(Junto a mim, alguém que conte.
Alguém que conte e que cante).

Toda a infância - num aceno
que do céu mande sinal
a este nosso serão tão sereno
de Natal,

e que presto me transponha,
desde o extremo do confim,
ao petiz que sonha
em mim:

criança que me morreu,
deixando-me aqui assim
a sós entre mim
e eu!

No sapatinho

Acabo de receber a primeira prenda de Natal. Foi-me dada pelo Corcunda em jeito de texto doutrinário versando a tolerância, peça que com V. Exas. faço questão de partilhar. Ei-lo. Agradecendo a simpatia, sempre dou conta ao nosso amigo lampião (outro...!) que tenho cá por casa um ou dois livritos do Maritain assinados pelo próprio. Coisas de bons casamentos...

Quinta-feira, Dezembro 22, 2005

Dúvidas de socialistas sobre socialistas

No Diário de Notícias de hoje publica-se, na zona das cartas dos leitores (sem link, pelo menos que eu o veja - têm mesmo que comprar o jornal), uma missiva de António Brotas - curiosa a quantidade de socialistas a habitar na minha zona... - que coloca em causa, para bom entendedor, uma série de verdades feitas sobre o candidato Alegre. Independentemente do bom gosto da temática vertida, aguarda-se o rápido esclarecimento do visado. Para ser franco, pouco me interessa saber se o poeta é licenciado ou se só tem a quarta classe, mas já a história da prisão e da tortura, essa...

Feliz Natal


Não é que eu me vá embora - já lá vai lamentavelmente o tempo em que rumava eu a Norte nesta quadra... - mas admitindo que estejam V. Exas. de partida para paragens mais distantes dos vossos habituais postos de labuta, não quero deixar de desejar a toda a freguesia um Santo Natal, na companhia daqueles que vos são mais queridos. E não sendo pedir em excesso, não se esqueçam - no meio da euforia consumista - de dar um saltinho à Missa do Galo. A Tradição agradece.

Mecenato educacional

Lendo esta pérola do nosso amigo Misantropo, desde já me ocorre juntar-me ao FG Santos e ao JSM em peregrinação a uma das livrarias da cidade. Fazendo uma vaquinha, sempre podíamos ofertar ao rapaz isto ou isto. Em associando-nos ao espírito da época, compramos em duplicado e guardamos também um para o Rodrigo.

Quarta-feira, Dezembro 21, 2005

Vale tudo

Como já aqui afirmei em tempo útil, não tenciono meter os pés na assembleia de voto - digam lá que não rima com comissão de moradores... - em sede de eleições presidenciais. Em todo o caso, voz amiga deu-me hoje uma única boa razão para votar num qualquer que não seja o Louçã: dada a novíssima lei de financiamento das politiquices, a não ter 5% dos votos expressos, terá o Xico Anacleto que pagar do seu bolso - ou das bolsas dos companheiros que consiga enganar para o efeito - toda a principesca campanha eleitoral montada pelo bloco de extrema-esquerda. Ou seja, cada voto num dos restantes, pode significar a falência técnica dos barnabés. Eu não entro nisso, mas por me parecer temática de manifesto interesse público, sempre fica a tese à consideração de quem por cá passa.

Informação ao consumidor

De entre os meus amigos lisboetas, por certo haverá alguns que deixam as compras natalícias, por poucas que sejam, para as últimas horas. Pois que é a estes que agora falo. Não sei se sabem que por se tratar da última semana antes do Natal, a habitual Feira de Antiguidades que tem lugar na Praça de Londres de dois em dois sábados, pegou ali de estaca e não arreda pé, embora um nadinha inflaccionada devido à quadra em questão. Mas prendas potenciais, encontram-nas ali para os mais diversos gostos, coleccionismos ou taras, sendo que de livros também não estamos mal. Assim de repente, registo que logo por detrás da obra do poeta Alegre, toda ela em grande destaque - muita massa dará por certo o mediatismo eleitoral... - tendes todo um mundo a encontrar: Brito Camacho, António Sardinha, António de Séves, Alfredo Pimenta, Afonso Lopes Vieira, Franco Nogueira, Couto Viana, Conde de Monsaraz, João Ameal, Amândio César, António Ferro e ou(t)ros que tais. Assim sim, que a tanta bibliografia se chama Natal!

Para ler e reflectir

O Duarte, por via de regra mais rápido do que eu, já informou o (e)leitorado de algumas das vantagens de comprar a edição desta semana do semanário "O Diabo". Ainda assim e em forma de complemento, não resisto a pilhar para aqui uma das "Pegadas de Pegaso" com que o nosso tão amigo como recomendável Walter Ventura nos brinda esta semana, acto que, estou certo, não só não me valerá um puxão de orelhas como não vos dispensa de comprar o jornal. Chama-se "Incógnita" e reza assim:
Não sei se os senhores estão lembrados da fúria do admirável senhor Louçã para com Paulo Portas, já lá vão uns meses, por via do aborto. Foi durante a última campanha para as legislativas. De dedo em riste e o seu assanhado sorrizinho de Torquemada das avenidas, Louçã proibiu Portas de falar em tal assunto, uma vez que não era pai nem sabia o que era o sorriso no rosto de uma criança - óptimos motivos para se ser contra e não a favor do aborto, pensava eu.
Só que, ultimamente, tenho reparado que o senhor Louçã, com a tal veemência que só a tumba lhe levará, tem defendido os charros, a homossexualidade e até o casamento dos homossexuais.
Muito gostaria de saber que pergaminhos invoca para uma tal atitude (perdão, para uma tal postura).

Terça-feira, Dezembro 20, 2005

Parece que não leram o Rui Mateus

Li ontem que o novíssimo educador do povo Garcia Pereira - candidato a Presidente pela segunda vez consecutiva sem que quase ninguém se dê conta disso - afirmou uma evidência: diz ele que por cá se vive em «ditadura disfarçada». É daquelas manchetes que, de tão óbvias (mas pouco publicadas), retive para o resto do dia. Voltei a lembrar-me do dito já à noitinha, ao ouvir na SIC Notícias a discussão sobre aquilo que me pareceu ser - lá em Carnaxide - o grande tema do dia: o medo na acção política - esse que se julgava exclusivo da longa noite escura mas que, ao que parece, também se lobriga neste novo amanhecer que nos anunciaram.
Então não é que, vai-se a ver - e o papão impede alguns defensores do poeta Alegre de lhe expressarem publicamente o seu apoio? Podia dizer-se simplesmente - como fez o Osório que faliu a Capital - que isso era conversa antecipada de perdedor ressabiado, não fosse logo a seguir, ter ouvido a mandatária nacional do poeta dar exemplos minimamente concretos, nomedamente o de leitores de português em universidades estrangeiras que viam o seu lugar em risco se anunciassem publicamente somar-se à ilusão do tempo que passa. Pois que por acaso não me custa nada a crer e especialmente por se tratar a perseguição, como é sabido, de ocupação universitária por excelência.
Por exemplo: só entre o final de 2001 e as legislativas de 2002 - para não ir mais longe - testemunhou este que vos escreve episódios semelhantes, que culminaram em despedimento de facto - que a malta em causa não se cortava às convicções, como esta que hoje mereceu as atenções televisivas. E para não sair do meio académico, que é especialmente democrático nestas coisas e sobretudo nos cursos mais "in", observei de perto um caso especialmente grotesco, em que um doutorando foi chamado à direcção da universidade em causa (que por acaso até fica perto de casa do dr. Soares), no sentido de lhe ser comunicado (pelo plenário!) que ou o seu nome saltava imediatamente da lista de apoiantes da candidatura do PNR às referidas eleições, ou de imediato a bolsa de doutoramento conheceria caminho idêntico aos ordenados dos profissionais do Vitória de Setúbal. Para aquela gente, Nacionalismo não rima com Universidade.
Casos destes, meus caros, ficava aqui a noite toda a contá-los. Curiosamente, nunca ouvi uma condenação que fosse a esta metodologia por parte da entourage do Manuel de Argel enquanto o objecto foi o que foi.

Com amigos destes...

Sem aparentemente se rir, entendeu este meu ilustríssimo amigo (que assim logo à partida escorregará numa qualquer normativa sobre incompatibilidades) oferecer-me um "Prémio Camões" na medida em que - diz ele para me envergonhar - estais na presença do "blogger que melhor escreve em Portugal" (sic). A coisa alimenta-me o ego, confesso. Sucede que logo depois vindes cá vós para confirmar a sentença e acaba o prémio por me cobrir o tasco de ridículo. Em todo o caso, pá, estou a dever-te um jantar.

Domingo, Dezembro 18, 2005

Xmas wish list

Em plena quadra natalícia, tirei o domingo para facilitar a vida a todos quantos passam o ano a ler-me de borla, facto que de per si justifica uma pequena lembrança no rematar do que vai deste miserável 2005. De modo que para que não se equivoquem ou comprem em duplicado, aqui vos deixo uma brevíssima lista de utensílios com que podeis presentear o escriba. Atenção que do "Equador" só me disponibilizo para aceitar esta última versão - a que vem com bonecos. Nacional ou estrangeiro, há para todos os gostos e bolsas.

wish list

wish list

wish list

wish list

wish list

Sábado, Dezembro 17, 2005

Constantes e linhas de força

apito encarnado

Um pouco por toda a parte, prossegue a perseguição de quem manda aos grupos nacionalistas. Não se lobriga então razão alguma para que no Estádio da Luz o sistema fosse distinto.

Isto lembra-me qualquer coisa

Chard

(Desenho de Chard, para o Rivarol.)

Sexta-feira, Dezembro 16, 2005

Perplexo com a perplexidade

A Associação de Professores de Português (APP) manifestou-se hoje "perplexa" com a decisão do Ministério da Educação (ME) de manter a obrigatoriedade do exame nacional à disciplina em todos os cursos gerais do 12º ano.

And still counting...

Depois de Teresa Lameiro e a fazer fé no Diário de Notícias de hoje, é agora a vez de Botelho Ribeiro (que ainda para mais, segundo consta, é um activista da luta contra o aborto) entregar no Tribunal Constitucional as assinaturas necessárias à consumação do (f)acto. Venham mais!

Olha, olha...

Aqui o tasco entrou nos cem mais. Sinto-me um best-seller...

A ler

Em rigoroso exclusivo lá no sítio do BOS, as palavras de António Manuel Couto Viana proferidas aqui há dias por ocasião do lançamento, no Círculo Eça de Queirós, de "Pequeno Presépio de Poemas de Natal", obra póstuma de Rodrigo Emílio levada à gráfica pela Antília Editora e que mais uma vez vos recomendo para o sapatinho natalício.

Nostalgia

Surge-me quando alguém aqui chega vindo do Google, onde acabou de pesquisar "Whispers + Imaviz". Que saudades... ainda existe?

Quinta-feira, Dezembro 15, 2005

Portugueses de segunda

Informa o Jornal de Notícias que dos "micro-candidatos" presidenciais, a primeira catrefa de assinaturas - 10.760 para ser mais preciso - deu entrada no Tribunal Constitucional no passado dia 2, naturalmente longe dos holofotes mediáticos. Maria Teresa Lameiro de sua graça, funcionária pública de Vila Nova de Gaia, nem teve que sair da sua área de residência para preencher as folhinhas - e fez tudo isto sem sítio na internet, sem blogue, sem coisa nenhuma. Saúda-se a determinação da senhora à margem da partidocracia que tudo faz por comer. Era bem feito que aparecessem mais.

A verdade sobre a descolonização

Um grupo de cidadãos empenhados em que se discuta "A VERDADE SOBRE A DESCOLONIZAÇÃO" lança uma PETIÇÃO para a recolha de 4000 assinaturas, ao abrigo do disposto na alínea a) ponto 1 do artigo 20 do Texto da Lei nº 43/90, publicado no Diário da República I Série n.º 184 de 10 de Agosto de 1990 com as alterações introduzidas pelas Leis nºs 6/93 e 15/2003, publicadas respectivamente nos Diários da República I Série A n.º 50 de 1 de Março de 1993 e n.º 129 de 4 de Junho de 2003. Já assinou?

Livra-te!

Pergunta o Miguel, na passagem do quarto mês de presença blogosférica - que daqui saúdo: "O que poderá um mísero blogue fazer, para além do atrevimento narcísico, do acto inútil, da poeira dourada de uma frase mais ou menos bem talhada? Valerá a pena?"
Respondo eu: Pode fazer muita coisa. E vale a pena. Não me obrigues a abrir - com Miss Pearls, por exemplo - a Liga dos Amigos do Combustões.

O momento presidencial

Para compensar o fraco consumo que faço do aparelho, observei atentamente ontem à noite todo o momento presidencial. Vi tudo, para não perder pitada, desde o início da cavaqueira entre o poeta e o bochechas até ao rescaldo (completo) na SIC Notícias. Como primeira conclusão, dou graças a Deus por ser Monárquico. De segunda nota, registo que inúmeras vozes apelidaram a contenda como tendo sido viva, pelo que faço uma pequena ideia do tédio em que terão redundado as anteriores, o que - tudo somado - faz com que não me apanhem em mais nenhuma. Por aqui se fica a minha contribuição cívica no legitimar do carnaval republicano. Aliás, registo que o mentiroso relapso e contumaz - a fazer fé no saudoso Manuel Maria Múrias - manifestou pela primeira vez algum acerto quando afirmou que tanto ele como o seu oponente só declamavam banalidades. De tão gritante que era a pobreza, até o palhaço-rico reparou na falta de qualidade do espectáculo...
Visto o "debate" na TVI - que Alegre indiscutivelmente ganhou por somar menos asneiras que o oponente - segui para a SIC Notícias onde pouco houve a registar, não fosse constatar que o Osório soarista que faliu a Capital ainda é vivo. De resto, apenas me chamou a atenção uma intervenção de Helena Roseta, antecipando umas aldrabices que alegadamente a candidatura do marocas vem preparando para os próximos dias sob a forma de sondagens - presumo eu que a publicar no DN. Quanto aos factos que Roseta teme, não tenho eu qualquer dúvida em julgar avisado o seu receio. Aquilo que me espanta mesmo na malta do Manel de Argel é que só se deram conta das habilidades do cromo agora que o lobrigam por adversário. O que não deixa de ser outra habilidade que se lamenta.

Quarta-feira, Dezembro 14, 2005

Asterix educativo

Uderzo, reconoció que en este trigésimo tercer libro de las aventuras del pequeño guerrero, había muchos "guiños" a Estados Unidos y algunos "anagramas" que incluso la prensa francesa no había sabido ver. Entre ellos destacó que el jefe de los malvados extraterrestres tiene un nombre parecido a Bush e incluso estos "marcianos" buscan una "misteriosa arma" al igual que los americanos buscaban armas de destrucción masiva en Irak. (...)

A América que pensa

De leitura imperdível e descoberto por via do igualmente imperdível Dragão, eis "Putin vs. the Neo-Comintern", mais um tratado de bom senso de Pat Buchanan.
(...) But Trotskyism did not die with Leon Trotsky. It mutated and is today the taproot of that neoconservatism that calls for permanent revolution to advance not global communism, but global democracy. Today, this ideology is embedded in the Party of Reagan and the Bush administration, and neoconservatives are using tax dollars to create and operate their own Neo-Comintern.
The National Endowment for Democracy (NED), which pumps out tens of millions of dollars to "promote democracy" abroad, is its pivotal agency. For 20 years, it has been headed by Carl Gershman, who broke from the Socialist Party to organize Social Democrats USA, which rallied to the candidacy of liberal Democratic Sen. Henry "Scoop" Jackson, whose staff was a nesting ground of neocons from Richard Perle to Frank Gaffney to Elliott Abrams.
One organization captured by the Neo-Comintern is Freedom House. Founded by Eleanor Roosevelt and Wendell Willkie in 1941 as a voice for global democracy and human rights, Freedom House, on the eve of the Iraq war, chose as its new chairman ex-CIA Director James Woolsey. By his first anniversary in office, Woolsey had declared Vladimir Putin's Russia "un-free" and was beating the drums for "World War IV" against "Islamofascism."
(...)Flush with tax dollars and tax-deductible contributions, NED, Freedom House, and their collaborator foundations and think tanks now routinely interfere in the internal affairs of foreign nations. Under the rubric of promoting democracy, creating free markets, etc., they seek to dethrone recalcitrant rulers and advance to power those who share their ideology and will advance their interests and agenda.
Democracy is our goal, the neocons claim. But viewing their target lists in the Middle East, Near East, Central Asia, and Latin America, it is perhaps more exact to say the Neo-Comintern seeks destabilization of any and all regimes that fail to meet its criteria for membership in their world democratic revolution.
Though a radical leftist populist, Venezuela's Hugo Chavez was democratically elected. He charges that NED had a hand in the 2002 coup that briefly overthrew his government and in the recall election forced upon him in 2004. Foreign journalists contend that the color-coded popular "revolutions" that ousted Milosevic in Serbia, Shevardnadze in Georgia, and the Kuchma crowd in Ukraine were also made in the USA and hand-tooled at Langley.
Observing Kiev's "orange revolution" unfold, the Guardian's Ian Traynor called it "an American creation, a sophisticated and brilliantly conceived exercise in Western branding and mass marketing that, in four countries in four years, has been used to try to salvage rigged elections and topple unsavory regimes."
Russian President Putin, however, is a former KGB colonel who knows a little about subversion and wants to guarantee that what happened to his friends in Belgrade and Kiev does not happen to him or his chosen successor when he transfers power in 2008. And he is moving to restrict, and perhaps expedite the expulsion of, all American and Western meddlers in Russian politics. (...)
Which raises questions for our own government. By what right does the United States, through tax-funded and tax-exempt organizations, interfere in the politics of nations that have not attacked or threatened us? (...)
Given that resentment of the United States is pandemic in Latin America, the Middle East, and Europe, what benefits do we derive from incessantly intruding in the internal affairs of these nations to justify the rising cost in elite and popular ill will?
Did we defeat the world communist revolution only to launch our own world democratic revolution? Did we bury the Comintern of Stalin only to create our own? (...)

Prémio "e eu não contribuo nada para isso"

O candidato a Presidente da República Mário Soares lamentou hoje a falta de renovação da classe política em Portugal.

Sobre os Postais de Natal

Las tarjetas navideñas de Unicef financian abortos.

Sobre o poeta Alegre

Ler o BOS.

Último Reduto musical

Não sei se já repararam que aqui na coluna da direita, logo a encabeçar a dita cuja, existe a possibilidade de acompanhar a leitura dos excelentes postais deste que se assina Pedro Guedes ao som de música recomendável. Para início de sessão e atendendo à época que vivemos - de Advento, que não a de recessão - sugiro uma versão de Ave Maria da responsabilidade de Céline Dion (quem não gosta come menos). Não está completa, que é para ver se eu escapo à fúria persecutória das editoras discográficas, mas para depois do Natal (e se não mudar de ideias entretanto), tenho já aqui à mão uma versão integral que fará as delícias do Buiça: "Palestina", de Massimo Morsello.

Terça-feira, Dezembro 13, 2005

Mentiroso relapso

Com a mesma falta de vergonha com que em tempos garantiu ao mundo que o Iraque estava na posse de armas de destruição em massa que ninguém lobrigou e que os Marines não lograram entretanto plantar no terreno, Colin Powell reiterou ontem que o Presidente Saddam Hussein pretendia usar as tais armas que não tinha, facto que, em vigésima quarta versão, justificou a invasão dos Estados Unidos no Iraque. Foi em Lisboa e parece que conseguiu dizer tudo sem se rir.

Ora aí está!

El Yugo y las Letras

É a capa disto. Podem encomendar aqui.

Natal Crucificado

Apesar de truão
e boémio
de truz,

considero-me irmão
gémeo
de Jesus!

... E agora que não
possuo portão,
nem tecto nem chão,
nem côdea de pão,
nem réstea de luz...,

- ... Com que razão
não farei jus
à condição
de meio-irmão
de Jesus?!...

Prémio
ou condenação:
- Venha a hora da paixão
de Deus-Filho dar caução
a tanta desolação...
Venha a mim Santa cruz!...

... Que eu sou irmão
- sou mesmo irmão -
de Jesus.

Mais um poema de Rodrigo Emílio para o Natal de 1982, que é parte deste volume.

Enluminura de Natal

Branqueja, ao longe, o telhado
da casa onde já não moro.
Revejo o papel pautado
das telhas à chuva... e choro.

No piano enregelado
da memória, me demoro...,
enquanto, murmurejado,
perpassa, alegre e alado,
a rasar o teclado
inclinado do telhado,
um solo de água(s), sonoro...

Toda a Terra é um bailado...
Todo o céu um miradoiro...

- ó quadro iluminado
de vestidos de noivado!...

Horizonte tiritado
de vento e chuva..., caiado
de neve... e franjado a ouro.

Pousa a noite no telhado
da casa onde já não moro.
Pousa a noite no telhado...
Luz o céu como um tesouro!
... E, à mesa, há lugar marcado
p'ra sombras que rememoro.

Tem honras de convidado,
e de parente chegado.
Sempre o mesmo antepassado.
Sento-o, à ceia, a meu lado,
de frente para um vindouro.

E, no momento aprazado,
brindamos todos, em coro,
mais que ao presente, ao passado,
e a um futuro endoirado
por um Natal duradouro!

Branqueja, no descampado,
como um poema nevado,
a casa onde já não moro...

Contemplo o papel pautado
das telhas à chuva... e choro.

Poema de Rodrigo Emílio para o Natal de 1983, incluído em "Pequeno Presépio de Poemas de Natal", obra que se vende aqui e que vivamente se recomenda - seja para consumo próprio ou para fazer boa figura na hora de oferecer as prendas.

Segunda-feira, Dezembro 12, 2005

Longe da Vista... Perto do Coração (XXVIII)

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(Predappio - na Itália profunda - destino dedicado ao Camisa Negra. Há casais amalucados que passam por aqui em plena Lua de Mel, calculem...!)

Mais leituras recomendadas

Vítimas e vítimas, pelo FG Santos. Já dizia o meu pai: fala de tudo menos de Israel; se te meteres com esses gajos estás feito.

Ao cuidado de uma Alta Autoridade qualquer

Um mentiroso relapso e contumaz - que ao que se sabe (ainda) não é inimputável - insultou ontem em Barcelos um cidadão eleitor, acusando-o de ser "atrasado mental", momento que logo mereceu a solidariedade do "candidato da direita". Aguardam-se para as próximas horas as posições das associações de defesa dos direitos dos cidadãos portadores de deficiência...

Imperdível

Liberalismo e socialismo, mais uma prosa de culto do Alexandre Franco de Sá.

Domingo, Dezembro 11, 2005

Cão como nós

Curioso este postal do Francisco Nunes. Não é que eu ligue grande coisa às eleições presidenciais - e ainda para mais sobre o meu vizinho Manuel de Argel guardo as prosas do Rodrigo Emílio, que via muito à distância... - mas acreditem que só nesta última semana ouvi três espécimes da "direita que não é do centro" desenvolverem tese similar, e - pasme-se! - garantindo que vão agir (nas urnas) em consequência, sendo que o último foi há menos de vinte e quatro horas. De modo que para mim a questão central é esta: o poeta Alegre aceita votos de "fascistas"?

Sábado, Dezembro 10, 2005

Vanguarda (II)

Belenenses

Vanguarda (I)

Belenenses

Fossem croatas e marchavam já para a Holanda

Washington nega à Cruz Vermelha acesso a terroristas.

Sexta-feira, Dezembro 09, 2005

See you in... Alcafache

Olha, olha, que isto há coisas do diabo! Então não é que onze anos depois venho a topar com o Rocheta - que anda lá fora a lutar pela vida - e a coisa se faz logo por via blogueira...?! Para quem não saiba, refira-se que o ilustre blogador agora descoberto pelo Patrick faz parte de uma colheita de excelência, toda ela proveniente da mais distinta universidade portuguesa - nunca outra, que se saiba, chegou a ter (ao mesmo tempo) dois Magníficos Reitores em exercício...! - casa que se ergue verdadeiramente como um último reduto do saber.
Quando apareceres pela Pátria, apita!

Vem mesmo a calhar...

Chard

(Desenho de Chard, para o Rivarol.)

Novas da geopolítica

ETA se convierte al Islam.

Constatação de facto

A sorte desta gaja é não ter nascido croata.

Ecos de Sevilha

Para o Rafael - a ver se mete ordem na casa... - deixo curiosa nota de ocorrência referente à Missa por José Antonio mandada celebrar em Sevilha, como releva à Tradição, aos vinte dias do mês passado. Foi a crónica lavrada pela pena de Juan Alonso Beighau - um dos assistentes - e dela destaco o que segue.
Impresionado aún por el acontecimiento que me ha tocado vivir, en la nebulosa mañana del 20 de noviembre de 2005, me dispongo a dar testimonio del mismo por considerarlo interesante y conveniente para general conocimiento.
Fiel al recuerdo de José Antonio acostumbro asistir, en el Valle de los Caídos, a las exequias que se celebran con motivo de la efeméride. Este año (...) decidí permanecer en Sevilla.
La tarde anterior consulté la prensa por si se celebraría en la iglesia de la Santa Caridad la misa por el eterno descanso de su alma, en hora cercana a su fusilamiento, según se viene haciendo, ininterrumpidamente, desde el año 1937. En efecto, así aparecía en la esquela mortuoria. No leí la letra chica de ésta y a las siete menos diez de la mañana llegué a la calle Temprado, donde está ubicada la iglesia, vistiendo, humildemente, mi entrañable camisa azul, que tan sólo uso en esta fecha, como íntimo y personal homenaje al fundador de F.E.
Me extrañó ver cerradas las puertas del templo y, en la acera de enfrente, pasada la calle, a un grupo de personas, en una pequeña explanada, delante de las escaleras que dan acceso al Teatro Maestranza. Próxima a la pared había una mesa alargada de madera, desnuda y, junto a ella, agachado, un hombre menudo, en mangas de camisa blanca impoluta, tocado con un leve sombrero marrón, extrayendo una serie de objetos de una deteriorada y amplia maleta.
Al pronto, pensé que se trataba de uno de los muchos artesanos que, en las mañanas de los días festivos, instalan sus mesas portátiles en lugares concurridos, para la exhibición y venta de sus artículos.
Y quienes le rodeaban, contemplando la escena, individuos que, como yo, aguardaban la apertura de la iglesia (...) donde desde hace la friolera de sesenta y ocho años se vienen celebrando, sin faltar ninguno, los sufragios por el eterno descanso del alma de José Antonio en el aniversario de su muerte.
Me equivoqué de medio a medio. Las grandes puertas del templo, cerradas a cal y canto, no se abrirían este año por vez primera. La última fue el año pasado y eso ya debe haber pasado a la historia.
El hombrecillo que se hallaba sacando de la maleta objetos limpios y relucientes era el sacerdote que actuaría como oficiante y los mirones, quienes, como yo, íbamos a ser los asistentes a la misa anunciada.
Con pulcritud y esmero, el cura convirtió rápidamente la desnuda mesa de madera en un altar, donde no faltaba detalle alguno (...). El sacerdote se vistió (...). Pidió alzasen la mano quienes pensaban comulgar y, con la más sencilla solemnidad, comenzó la Eucaristía, a las siete de la mañana, aún de noche, con tiempo amenazando lluvia, como lo atestiguaban unos negros nubarrones y alumbrando el misal, para la lectura, el joven acólito con una linterna de bolsillo.
De verdad estaba emocionado, asistiendo en plena vía pública - frente a una iglesia hermética - a una misa, en súplica de que "Dios acoja, con piedad en su seno, el alma de su siervo José Antonio y a nosotros nos niegue el descanso hasta cumplir su testamento".
(...) Al término de la misa nos aproximamos al altar a saludar al cura. Supimos que se llamaba Ricardo, tenía cuarenta y ocho años y era capellán castrense del antiguo Ejército del Aire, con graduación de teniente. A lo largo de su sagrado ministerio había celebrado muchas misas de campaña y por eso tenía los, llamémosles, 'utensilios' necesarios para ello, en una deteriorada y amplia maleta, donde, bien ordenados, nada faltaba.
Nos comentó el Canon 903, en virtud del cual la doctrina de la Iglesia establece, de forma inequívoca, que a todo sacerdote, no hallándose suspendido 'a divinis', le asiste el derecho de solicitar el uso de cualquier templo para celebrar en él el santo sacrificio de la misa. En nuestro caso, el citado Canon no se había tomado en consideración. (...).

Tempo_perdido.exe

Importa tirar um nadinha para esclarecer os prestimosos rapazes que vão entretendo os seus parcos afazeres diários enviando-me viralhadas para o correio electrónico (algumas delas imaginativas, justiça lhes seja feita...), de que para além de perderem o seu tempo, nada ganham com o facto: o meu Mac ignora esses ficheiros executáveis que tantos estragos provocam em vossas geringonças. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

Quarta-feira, Dezembro 07, 2005

Poemas de Natal

Não deixa de ser curioso que desde há uma semana (ou coisa que o valha) têm aumentado substancialmente os cibernautas que aqui aportam em busca de Poemas de Natal. Como não quero que falte nada a quem por cá passa e dado que os garimpeiros dos tempos modernos não vieram ao engano, ora façam o favor de verificar aqui no arquivo: Conde de Monsaraz; José Adelino Maltez; José Valle de Figueiredo; Miguel Torga (I e II); Olavo Bilac; Rodrigo Emílio (I e II) e Vinicius de Moraes. Um dia destes, aumento o espólio.
Em todo o caso, saibam os meus amigos que buscam (muito) boa poesia natalícia que nada perdem - antes pelo contrário - em adquirir um livro inteiramente dedicado ao tema em apreço: "Pequeno Presépio de Poemas de Natal", da Antília Editora, que reúne oitenta e cinco poemas de Natal da autoria do inesquecível Rodrigo Emílio. Vende-se aqui.

Terça-feira, Dezembro 06, 2005

Anda um Misantropo a poupar para isto...

Benfica condenado a pagar 7M€ a Vale e Azevedo.

Silly season

O presidente da Associação de Professores de Português (...) não considera problemático que deixe de ser obrigatória a prova de Português.

Segunda-feira, Dezembro 05, 2005

É o mercado, estúpidos!

EUA opõem-se à venda de armas russas ao Irão.

À atenção da República (e laicidade)

Papa português em moeda - A Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM) cunhou uma moeda em prata, com o valor facial de cinco euros, comemorativa do VIII centenário do nascimento de Pedro Hispano, Papa João XXI.
Inconcebível...!

Domingo, Dezembro 04, 2005

Sobre o Noddy Live

Noddy Live

Ao bater das onze da manhã de ontem, lá me apresentei no Pavilhão Atlântico, como é próprio de pais nos dias que correm. À semelhança dos outros milhares que por lá vi, cedo me dei conta da enorme indústria montada em volta do espectáculo. Um programa oficial das festas (em língua inglesa) fez-me voar cinco euros, ao passo que um simples balão - em moeda de gente - custava um conto e duzentos, o que para celebrar a crise (que aliás os petizes desconhecem por completo) convenhamos que não está mal. Não sei se este tipo de informação ainda apanha o FG Santos em tempo útil, mas em todo o caso cá fica: é melhor levantares a massa perto de casa, posto que os multibancos em volta do Pavilhão, pelo menos ontem, tinham tantas notas como o cofre do falecido Sport Comércio e Salgueiros [vénia ao nosso amigo Gomes]. Já quanto ao balão, comprar o dito no final da peça é uma verdadeira aventura. Antes sair dois minutos mais cedo, como nos jogos da bola...
No que respeita ao espectáculo em si mesmo, cinco estrelas e mais nada a dizer. Quero crer, aliás, que está aí uma das razões que depois explicam a presença em palco de coisas como o "Cats" e quejandos musicais durante meses e meses e meses. É que é de pequenino que se torce o pepino.

Leituras dominicais

Sugere-se a leitura conjugada e sequencial destas duas entradas. Depois é só reflectir, qua daí nasce a luz.

Sexta-feira, Dezembro 02, 2005

"La Resistance" - I will say this only once!

(Para o Rafael - 'con muchas gracias')

Aqui há dias, na mochila da minha filha, arribava a casa um desdobrável dando conta das actividades curriculares para os dias que correm. Muito a propósito, sempre vos posso dizer que na 1ª semana do Advento centraram os petizes a sua atenção em Maria, "menina muito boa, que já foi pequenina como nós". De igual modo, iniciou a criançada a preparação do Presépio, tarefa que levará quatro semanas, mais a decoração da sala onde decorrerá a Festa de Natal, usando para tal o símbolo da semana: o Sino, "sinal de Anúncio". Pelo caminho, aprenderam os miúdos um "Cântico a Maria". Já a partir da semana que entra, será José - "carpinteiro muito amigo de Maria" - o centro de atenções que partilhará com o Pinheiro, "bonita árvore que é símbolo da Vida". Por outro lado, na 3ª semana do Advento, é a Caminhada para Belém a merecer destaque. Paralelamente, as salas enchem-se de estrelas e a pequenada rumará à Capela. Já no início da 4ª semana, abraçam os petizes o tema do nascimento de Jesus, sendo a Vela - "Luz do Mundo" - o símbolo destes dias. Nessa altura, Jesus tomará lugar no Presépio e a miudagem cantará em coro as várias canções até aí aprendidas.
Mais se informa a freguesia que o estabelecimento em causa tem paralelismo pedagógico e (habitualmente) óptimos resultados no acesso ao ensino superior. Informações a eventuais interessados (nomeadamente sobre propinas, que são preocupação de primeira grandeza) poderão ser dadas pessoalmente, mas apenas a sujeitos disfarçados e equipados com gabardina e chapéu escuro, longe dos olhos da malta da república (e da laicidade) e a quilómetros da 5 de Outubro, local que dá origem a ofícios persecutórios. Por maioria de razão, em caso algum poderemos falar na Avenida da Liberdade, posto que aí labuta a jornalista Câncio, cujo ofício consiste essencialmente, desde há meses, em contabilizar os Crucifixos afixados em escolas e hospitais. Dito isto, a todos um bom Natal!

Reduto anglófilo

É já este sábado que eu vou ver o "Noddy Live". A propósito (e a fazer fé no DN de Quinta-feira): vocês sabiam que a coisa é tida como xenófoba...?! Nem a Enid Blyton escapa ao politicamente correcto...

Quinta-feira, Dezembro 01, 2005

A Restauração dos 7 aos 77 - como no Tintim!

Um dos efeitos que tenho como mais nefastos do olímpico esquecimento a que as televisões votam o 1º de Dezembro é, curiosamente, revelado por elas próprias com alegria, quando vão para o meio da rua perguntar ao transeunte intoxicado qual o motivo "do feriado". Admiram-se depois que poucos saibam a quantas andam, sendo o facto especialmente gravoso no que às gerações vindouras respeita, visto que vão estando cada vez mais formatadas para "acreditar no que aparece na televisão". Neste quadro de absoluta miséria quanto ao conhecimento dos nossos Heróis, das nossas datas e da memória histórica da Comunidade de Destino a que orgulhosamente pertencemos, parece-me especialmente interessante a disponibilização de banda desenhada capaz de, de algum modo, suprir as lacunas dos manuais de História, que outra coisa não visam para além de vender o peixe quase todo ao contrário. Já lá dizia o outro que há sempre alguém que resiste / há sempre alguém que diz não"...!

Para quando a Restauração dos 'media'?

Num país com algum amor próprio - que ainda os há - as cerimónias de evocação da Restauração da Independência Nacional mereceriam honras de abertura dos telejornais, estando ao mesmo tempo profusamente ilustradas nos nossos jornais on-line, que para alguma coisa sempre deviam servir. Nas televisões, segunda notícia que fosse - mas não, nem isso. Afinal de contas, nos dias que correm, o que podem a Independência e a Soberania Nacional quando confrontadas com o aumento das taxas de juro que Bruxelas nos impõe, ou outras temáticas de especialérrima relevância nacional como o lançamento da última consola da Microsoft ou o acidente do senhor Rajoy?
Daqui vos confesso que não sou grande cliente da caixinha mágica que - alguns garantem - mudou o mundo, mas hoje até fiz por estar atento. Na Sic Notícias, nem nada, talvez em homenagem à amizade do patrão com o Rei vizinho, duas personagens, aliás, de idêntica respeitabilidade. Na RTP - serviço público, é bom lembrar! - dez segundos de imagens lá para os confins do alinhamento, pura falta de vergonha para quantos lhes pagam os principescos salários. Ainda assim, curioso que o menos mau veio da estação recentemente comprada pela espanholíssima Prisa, que até se deu ao trabalho de gravar umas imagens - com voz, calculem os meus amigos! - em plena SHIP. Coisa de aprendizes sem respeito pela publicidade, certamente, que vêm habituados à terra deles. Coitados, para o ano já não embarcam nisto...

Da elegância

Depois de ter dito, aqui há tempos, que fazer um aborto não era mais do que cortar as unhas (ou o cabelo), a bloquista Ana Drago volta agora a surpreender as massas pelo seu altíssimo nível intelectual: lá do baixo do seu metro e trinta, compara a criatura Crucifixos e chouriços. Fica-lhe bem.